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Atualizado às: 22 de agosto, 2006 - 09h46 GMT (06h46 Brasília)
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Combate ao trabalho infantil 'avançou no Brasil', diz especialista

Criança em uma lavoura
Além da agricultura, empresas também empregam crianças
O ativista indiano Kailash Satyarthi, especialista em trabalho infantil, diz que o Brasil avançou no combate ao problema, mas afirma que ainda falta investimento em educação para melhorar ainda mais a situação das crianças que trabalham no país.

“O Brasil é um dos países onde o combate ao trabalho infantil está avançando. Mas é preciso investir mais em educação, não só garantindo que as crianças tenham acesso à escola, mas também que a escola tenha qualidade”, afirma.

Programas de governo – como o Bolsa-Escola e o Bolsa-Família – ajudam a combater o problema, segundo ele, mas é preciso de mais ações para enfrentar a pobreza das famílias.

Segundo ele, o trabalho infantil é grave tanto na agricultura como nas cidades, onde ainda há crianças sendo empregadas por empresas.

Centros de educação

Ganhador de vários prêmios por seu trabalho ligado ao combate ao trabalho infantil, Satyarthi é um dos indicados para o Prêmio Nobel da Paz deste ano. Ele está em Brasília como um dos convidados do Seminário Internacional Educação, Pobreza e Desenvolvimento, que acontece na cidade de terça a sexta-feira desta semana.

Satyarthi organiza ações de fiscalização e “libertação” de crianças em trabalho perigosos em todo o mundo e criou na Índia três centros de educação e reabilitação para crianças retiradas do trabalho infantil.

 O Brasil é um dos países onde o combate ao trabalho infantil está avançando. Mas é preciso investir mais em educação
Kailash Satyarthi

No mundo todo, o problema tem sido enfrentado nos últimos anos. O número de crianças que trabalham diminuiu de 246 milhões em 2000 para 218 milhões neste ano, de acordo com um relatório divulgado recentemente.

“Está melhorando, mas ainda é preciso fazer mais”, afirma.

No Brasil, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 2,4 milhões de crianças de cinco a 15 anos trabalham, o que equivale a 6,5% da população dessa faixa etária. Incluindo todas as crianças e adolescentes de até 17 anos, a proporção sobe para 11%, com 4,78 milhões de pessoas envolvidas.

A situação é mais grave na Ásia, seguida da África e da América Latina. Mas Satyarthi e outros especialistas no assunto já denunciaram trabalho infantil em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, especialmente entre famílias de imigrantes que trabalham na agricultura.

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