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Falta iniciativa contra o PCC, diz especialista da ONU | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O especialista em segurança Reiner Pungs, coordenador de programas da ONU na área de segurança, critica a falta de iniciativa das autoridades nas ações contra organizações como o PCC. “O Estado é meramente reativo às ações que vem ocorrendo”, avalia. “É preciso uma ação proativa. Dar prioridade absoluta para a questão da segurança." Mas ele alerta que não existe uma solução mágica, que possa ser resolver o problema a curto prazo. “Não vai dar pra resolver daqui até o fim do ano”, diz ele. Pungs avalia como de “descontrole quase total” a situação de segurança pública no Estado de São Paulo, onde os ataques da facção criminosa PCC se tornaram cada vez mais ousados até exigirem, na semana passada, que a Rede Globo exibisse um vídeo com reivindicações em troca da libertação de um repórter da emissora. “O PCC é resultado de muitos anos de problemas que não foram solucionados na área de segurança”, afirma. Para combater o grupo, Pungs diz que é preciso que todos os órgãos ligados à segurança pública, tanto na esfera estadual como federal, se juntem e se empenhem em trabalhar juntos para buscar soluções de longo prazo. “Tem que colocar o grupo para pensar, com frieza, esquecer esta história de quem é culpado, se foi o governo passado, se é o atual, se é o próximo”, afirma. “A crise é praticamente contínua desde março em São Paulo.” Curso para policiais Pungs passou a semana em Assunção, no Paraguai, coordenando um curso para policiais de sete países da América do Sul sobre como agir em casos de seqüestro. O Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) elaborou um Manual Anti-Seqüestro, para reforçar a cooperação dos países no combate aos seqüestro, especialmente os que têm ligação com o crime organizado. A Colômbia é o país da região onde o problema é mais severo, mas é também o país que mais obteve sucesso nos últimos anos no combate aos seqüestros. De uma média de três mil a quatro mil por ano nos anos 90, o número de casos caiu para pouco mais de 200 no primeiro semestre deste ano. De um modo geral, diz Pungs, os seqüestros estão diminuindo também no Brasil, como resultado de um trabalho mais integrado entre as polícias, com a criação de grupos especializados em investigar este tipo de crime. Ainda assim, diz ele, falta uma maior integração do sistema, com maior cooperação entre polícias e Ministério Público. "Muitas vezes há uma competição entre eles, e um sabota o trabalho do outro em vez de cooperar", afirma. Mas não existe, diz Pungs, uma "receita de bolo" para acabar com os seqüestros. "É preciso uma ação para resolver o problema da segurança como um todo, porque se houver uma repressão somente contra um tipo de crime, os bandidos mudam para outro tipo de ação", diz. Isso já pode ser observado, segundo ele, na diminuição dos seqüestros tradicionais, com cativeiro e pedido de resgate, e o aumento dos seqüestros relâmpago, no qual a vítima é levada a um caixa eletrônico para retirar dinheiro com o cartão. Da mesma maneira, ele diz que só a repressão não vai resolver se o Estado continuar ausente das regiões mais pobres, facilitando o "recrutamento" de criminosos. "É preciso aumentar a repressão e a também a ação social para ter bons resultados", diz ele. |
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