|
Violência em SP e terror 'causam trauma semelhante' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O temor provocado na população de São Paulo pela onda de violência dos últimos dias no Estado pode ser comparado ao medo provocado por ataques terroristas. A avaliação foi feita à BBC Brasil por Sandro Galea, pesquisador do Centro de Estudos de Epidemiologia Urbana da Academia de Medicina de Nova York e responsável por um estudo sobre as conseqüências psicológicas dos atentados de 11 de setembro de 2001 aos Estados Unidos. A pesquisa de Galea indicou que os ataques de 2001 deixaram um impacto psicológico de longo prazo na população. Para ele, o mesmo pode ocorrer no caso da violência em São Paulo. “Certamente o medo da violência em massa pode ter efeitos psicológicos comparáveis ao medo de ataques terroristas, particularmente entre aqueles que estão expostos a tal violência”, afirma Galea. Segundo ele, a violência urbana no longo prazo pode provocar problemas psicológicos como estresse pós-traumático, depressão e ansiedade. De acordo com o especialista, é difícil evitar as conseqüências psicológicas do medo provocado pela violência, mas aqueles que têm acesso a apoio material prático, incluindo redes de apoio social, financeiro e emocional, têm uma maior capacidade de enfrentar os problemas sem se deixar abater. Paralelo Patricia D’Ardenne, diretora do Instituto de Psicotrauma, no Hospital St. Barts de Londres, que acompanhou sobreviventes dos ataques a bomba em Londres em 7 de julho do ano passado, também considera possível um paralelo entre os traumas provocados pela violência urbana em São Paulo e os traumas decorrentes de ataques terroristas. Segundo ela, porém, o chamado estresse pós-traumático não se desenvolve imediatamente após os a ocorrência dos ataques, mas sim se desenvolve ao longo de um período mais longo. “Imediatamente após a ocorrência de um evento como esses, a maioria das pessoas fica muito chocada, mas muitas delas voltam rapidamente ao trabalho, ao estudo ou a qualquer outra atividade que tenham”, disse ela. O choque inicial, segundo ela, acaba atingindo um grande número de pessoas por conta da identificação de outros com os alvos dos ataques. “No caso de Londres, cerca de 50 pessoas foram efetivamente mortas, mas 3 milhões de pessoas usam o metrô diariamente e podem ter pensado que aquilo poderia ter acontecido com elas”, disse. Apenas as que permanecem com esse trauma por um longo tempo são diagnosticadas com o estresse pós-traumático. Segundo D’Ardenne, as pesquisas indicam que 28% das vítimas diretas, testemunhas ou amigos e parentes de vítimas de atentados acabam desenvolvendo o estresse pós-traumático. Para D’Ardenne, mesmo pessoas preparadas psicologicamente para lidar com a violência, como policiais, podem sofrer com estresse pós-traumático. Isso ficou evidente, segundo ela, com o alto número casos de trauma entre os membros das equipes de resgate que trabalharam após os ataques em Londres. |
NOTÍCIAS RELACIONADAS Consultoria de risco recomenda cuidado a executivos no Brasil16 maio, 2006 | BBC Report Editado por Bono, 'Independent' fala da violência em SP16 maio, 2006 | BBC Report Mercadante evita críticas a governo de São Paulo16 maio, 2006 | BBC Report 'Negligência' deixa Brasil vulnerável, diz Anistia15 maio, 2006 | BBC Report Para Lula, violência é resultado de falta de investimento13 maio, 2006 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||