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'Governo federal pode ajudar SP na área de inteligência' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Na avaliação de especialistas em segurança pública, a colaboração do governo federal com o governo de São Paulo deve se dar na área de inteligência, com a coleta e análise de informações sobre o crime organizado não só no Estado mas nos Estados vizinhos. "Considerar que este é um problema local é um erro", diz o responsável pelo Brasil e Cone Sul do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), Giovanni Quaglia. "Não tem que ter vergonha de admitir que existem problemas", afirmou. Quaglia concorda com o governo estadual que as tropas federais não fariam muita diferença num Estado grande como São Paulo, mas ele diz que uma hora grave como esta "não é o momento certo para dizer que não precisa de ajuda". "Mas precisa da ajuda certa, não só somar homens", afirmou. O cientista político Michel Misse, coordenador do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da Universidade Federal do Rio de Janeiro, também diz que o governo federal pode ajudar no trabalho de inteligência. "Falta inteligência nas polícias estaduais", disse ele. Efetivo Esta também é a opinião do coronel José Vicente da Silva, consultor na área de segurança e ex-secretário Nacional de Segurança Pública. "O governo federal pode ajudar nos trabalhos de inteligência com pessoal e equipamentos e também dotar São Paulo de um efetivo de Polícia Federal compatível com o tamanho do Estado", afirmou. Ele diz que São Paulo tem cerca de 300 policiais federais em campo, e deveria ter "pelo menos uns 2 mil". Ele também defende o aumento das verbas federais para o sistema penitenciário. O ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, se reuniu nesta quinta-feira com o comando das Forças Armadas, da Polícia Federal, da Agência Nacional de Inteligência e de outros órgãos do governo ligado à segurança pública para traçar um plano que será levado ao governador de São Paulo, Claudio Lembo, numa reunião nesta sexta-feira à tarde. O ministro não quis adiantar as medidas, mas descartou uma intervenção federal na polícia do Estado. "Não há a menor possibilidade de uma intervenção federal", afirmou aos jornalistas. Ele disse que a oferta de tropas da Guarda Federal, já recusada pelo governador, continua em pé. As medidas que serão oferecidas nesta sexta-feira são irrecusáveis, na avaliação do ministro da Justiça. "Vou propor ao governador algumas medidas que tenho certeza que ele vai achar adequadas e importantes", afirmou. Politização Thomaz Bastos também criticou bastante o que chamou de "politização" do debate sobre a onda de violência em São Paulo. "Não podemos transformar esta crise numa moeda de troca eleitoral", afirmou. "As pessoas estão morrendo, e isso é inadmissível", disse. O presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen, disse na quarta-feira que "o PT pode estar manuseando, manipulando essas ações". O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, divulgou nota nesta quinta-feira repudiando a declaração de Bornhausen. "Lamento que um senador da República aja de forma tão irresponsável e golpista, usando do oportunismo em um assunto de tamanha gravidade", afirmou. O coronel José Vicente da Silva vê a possibilidade de um aumento das ações mais próximo das eleições. "Dado o conteúdo político nas ações dos presos pode haver uma crise grave perto das eleições", disse ele. Michel Misse vê uma "politização excessiva" na área de segurança pública. "O embate eleitoral não deixa ver com clareza o que está acontecendo. Neste cenário qualquer coisa pode servir de discurso eleitoreiro", afirmou. A pesquisa CNT/Sensus de intenção de voto divulgada esta semana mostra que o combate à criminalidade é critério de voto para 25,4% dos eleitores. Ainda é o assunto que mais preocupa, mas menos do que em junho de 2002, quando 40% apontavam o problema como motivo de preocupação. Na mesma pesquisa, 84,2% disseram que a violência piorou nos últimos seis meses. Em maio, justamente quando aconteceram os primeiros ataques do PCC em São Paulo, 85,2% diziam que a violência havia piorado. |
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