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Atualizado às: 10 de agosto, 2006 - 20h20 GMT (17h20 Brasília)
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Ataques israelenses se aproximam do centro de Beirute

Prédio destruído em um subúrbio de Beirute
Os bombardeios israelenses são pesados em subúrbios de Beirute
Os bombardeios de Israel estão chegando cada vez mais perto do centro de Beirute e, nesta quinta-feira, panfletos israelenses com advertências sobre ataques – já comuns no sul da capital e no sul do Líbano – apareceram pela primeira vez nas zonas centrais da cidade.

Os panfletos - simples fotocópias em meio papel A4 - não chegam a ameaçar o próprio centro de Beirute, mas fazem referência a três bairros, Hai al-Salam, Borj al-Baraj e Shyah, já estão mais perto da região que as áreas atacadas até agora. Também nesta quinta-feira um antigo farol localizado em um bairro costeiro de classe média-alta a oeste do centro, foi atingido por um míssil.

Mas, apesar de toda a destruição em outras áreas, nas zonas centrais da capital cada vez mais as pessoas voltam às ruas e tentam levar uma vida normal.

O movimento nas ruas não significa que as pessoas acreditem que não há mais riscos ou que o pior já passou, mas mostra que os libaneses querem voltar a viver, dure esta guerra o quanto durar.

“Os libaneses estão acostumados com essas guerras. Já vimos isso muitas vezes”, diz o livreiro Sultan El-Bidawi, que há 43 anos assiste da vitrine de sua loja a conturbada vida polítca libanesa.

“Aproveitamos a vida”

El-Bidawi diz que os libaneses gostam de “aproveitar a vida” e não querem ficar fechados em casa de maneira nenhuma.

O advogado Jans estava fazendo compras no bairro de Hamra nesta quarta-feira e disse que não ia se esconder em casa.

“Temos que estar nas ruas e mostrar pro mundo que somos pessoas normais, que só queremos viver normalmente”, diz.

As ruas de Beirute, que nos primeiros dias da guerra estavam quase desertas, voltaram até a ter congestionamentos. E isso apesar da dificuldade para comprar gasolina, o que em geral exige horas de espera em filas.

Noite

A cidade de Beirute é reconhecida como sendo uma das mais ocidentalizadas no Oriente Médio, e a noite da capital libanesa atrai centenas de milhares de turistas, principalmente vindos de países árabes como a Arábia Saudita – com leis ou costumes mais rígidos sobre consumo de álcool e vestimenta feminina, por exemplo.

Durante os primeiros dias da guerra, quase todos os bares e restaurantes fecharam, mas aos poucos a situação foi mudando.

Primeiro nas montanhas de Brumana – ao lado da capital libanesa – uma área cristã e tradicional zona boêmia onde dezenas de bares já estavam lotados poucos dias depois dos primeiros ataques.

Restaurantes no distrito central de Hamra (foto: Paulo Cabral)
Hamra

Mais perto do centro, muitos bares estão concentrados na Rua Gemayze e a maioria deles fechou por mais de duas semanas. Agora quase todos estão reabertos e o público está voltando a lotá-los.

“As pessoas querem sair de casa, se encontrar com os amigos e conversar sobre tudo isso que está acontecendo”, diz Michel Hadis o dono do Dragon Fly – um pequeno bar que toca rock clássico, serve caipirinha e atrai jovens de classes média e alta da cidade.

Turismo

Mas outras atrações da cidade que costumam encantar os turistas vão demorar mais tempo para se recuperar, como as praias da capital.

Agentes de viagem que promovem Líbano no exterior costumam vendê-lo como “o país onde você pode esquiar de manhã e ir à praia à tarde”.

Isso porque em alguns períodos do ano ainda é frio o suficiente no pico das montanhas mais próximas do litoral para haver neve e, ao mesmo tempo, razoavelmente quente na cidades e praias.

Mas agora cerca de 140 km da costa mediterrâneo do Líbano foram atingidos pelo vazamento de combustível de um usina bombardeada por Israel.

Ambientalistas avaliam que pode demorar até dez anos para que a natureza se recupera completamente do vazamento.

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