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Deputadas européias cobram combate à prostituição na Copa | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um grupo de deputadas socialistas européias entregou nesta semana ao comissário europeu de Segurança, Liberdade e Justiça, Franco Frattini, um documento assinado por 93 mil pessoas contra a falta de atuação da União Européia (UE) para evitar a prostituição forçada ou envolvendo trabalhadores ilegais durante a Copa da Alemanha. Às vésperas do início da maior competição mundial de futebol, a UE não adotou nenhuma medida específica contra uma possível entrada de imigrantes ilegais e o tráfico de mulheres para a prostituição", disse à BBC Brasil o porta-voz de Frattini, Frisco Roscam. O que mais preocupa os europeus é que a Copa se converta em um incentivo à exploração de mulheres para trabalhar no mercado do sexo da Alemanha, onde a prostituição é legal. De acordo com um documento elaborado pelos parlamentares socialistas, durante o evento "muitas mulheres serão enganadas com promessas de trabalho e logo serão obrigadas a se prostituir". Entre elas, dizem os parlamentares, estarão adolescentes entre 14 e 17 anos, provenientes do Leste Europeu, África e América Latina, inclusive do Brasil. Diversos grupos políticos e organizações não governamentais estimam que o número de mulheres vítimas desse tipo de exploração pode chegar a 40 mil durante a Copa da Alemanha. "É impossível dizer de onde virá a maioria delas, ou quantas virão de cada região. Mas, por nossa experiência em campo, sabemos claramente que está havendo recrutamento de mulheres", afirma Malka Marcovich, coordenadora da ONG internacional Coalizão Contra o Tráfico de Mulheres. A ONG alega que "a indústria do sexo instalou em Berlim um imenso complexo dedicado a prostituição". Visto especial Para combater a possível exploração de mulheres durante o campeonato, o comissário Frattini propôs que se voltasse a exigir visto de entrada para cidadãos de "países de origem de prostitutas". A idéia foi imediatamente afastada devido às duras críticas de parlamentares e de governos nacionais. A Comissão Européia não sugeriu outro plano. O Conselho Europeu, por sua vez, adotou uma resolução pedindo à Fifa e aos jogadores que "denunciem com firmeza a prostituição forçada". Em resposta, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, disse que o assunto é um problema do governo alemão, "que já foi alertado" pela instituição. Segundo Blatter, a federação "não pode intervir em assuntos internos de um organizador da Copa do Mundo". Já as ONG consideram que a prática da prostituição forçada durante a Copa é um problema europeu. "Compreendo que seja difícil controlar a saída dessas mulheres dos seus países de origem", diz Marcovich. "Mas sou partidária da idéia de um brilhante advogado francês, que disse que a UE poderia exigir que Angela Merkel (chanceler alemã) mandasse fechar os bordéis durante o mês em que se realiza a Copa." Para Colette De Troy, coordenadora do Lobby Europeu para as Mulheres, grupo que reúne organizações nacionais e ONGs de toda UE, "as medidas adotadas pelas autoridades européias se resumem a palavras". "Prometeram que prestarão mais atenção à circulação de pessoas, mas acho que isso não será de muita ajuda", protesta. |
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