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Espanha desmonta rede de tráfico de brasileiras | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A polícia espanhola desarticulou nesta quarta-feira em Santander, no norte do país, uma rede de tráfico de escravas brasileiras. A organização era dirigida por um casal, um espanhol e uma brasileira, e trouxe à Espanha 25 mulheres, que foram enganadas para viajar à Europa, de acordo com as autoridades. Do aeroporto, as mulheres eram levadas para locais de prostitução. Um deles até deu nome à blitz policial, que foi chamada de Operação Macumba. As vítimas têm entre 19 e 27 anos, segundo a polícia. Elas recebiam ofertas para trabalhar como domésticas ou babás na Espanha e na Suíça e nem desconfiavam que, já no desembarque, tinham uma dívida de 4 mil euros (cerca de R$ 15 mil) que deveria ser paga trabalhando como prostitutas. Segundo a Polícia Nacional da Espanha, as mulheres têm baixo nível de instrução e enfrentavam dificuldades sócio-econômicas no Brasil. Algumas são mães solteiras. Muitas foram convencidas com o argumento de que, trabalhando na Europa, poderiam mandar dinheiro para ajudar as famílias. Instruções O casal que comandava a rede, ambos com 32 anos e identificados pelas iniciais O.S.A. (o espanhol) e N.D.S. (a brasileira), ia freqüentemente ao Brasil e dava todas as instruções para que as vítimas pudessem entrar na Europa sem problemas. Em São Paulo, elas ganhavam roupas para viajar, US$ 400 (aproximadamente R$ 1,5 mil) para mostrar à polícia aduaneira que estavam apenas viajando pela Espanha e aprendiam a dizer em espanhol que iriam visitar um parente. Elas até davam o endereço dos líderes da rede como se fosse de familiares. As rotas de viagem eram São Paulo-Paris-Bilbao ou São Paulo-Frankfurt-Madri, dependendo do período em que a organização considerasse que os controles policiais nos aeroportos estivessem mais ou menos rigorosos. No desembarque as mulheres eram recebidas pelo casal e levadas diretamente para dois locais de prostituição: as boates Macumba, em La Rioja, e América, em León. Os passaportes e os US$ 400 eram recolhidos pelos membros da rede, e as mulheres ficavam sabendo da verdade, que incluía a dívida de 4 mil euros pelos gastos da viagem e do passaporte, mais 210 euros por dia (cerca de R$ 800) por alojamento e alimentação. Crimes Elas eram obrigadas a trabalhar das 17h30 até a madrugada e não podiam sair na rua sem a companhia de alguém da organização. A rede foi descoberta através da denúncia de um cliente. Com pena de uma das mulheres, que relatou o que lhe aconteceu, um homem ofereceu os 3.400 euros que ela ainda devia e depois chamou a polícia. O casal que comandava o tráfico de escravas está preso e deverá ser julgado por seis crimes: prostituição, organização ilícita, delito contra trabalhadores, delito contra os direitos dos cidadãos estrangeiros, delito contra a saúde pública e tráfico de drogas, já que os policiais encontraram 60 gramas de cocaína durante a blitz. Na Operação Macumba, foram apreendidos ainda 18 mil euros e um revólver. Outros seis espanhóis estão na delegacia de Santander, acusados de pertencer à rede. E as vítimas, também presas, esperam extradição por delito de estadia ilegal na Espanha. |
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