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Presença de força de paz estimula tráfico de mulheres em Kosovo, diz Anistia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A presença de forças internacionais de paz em Kosovo está dando fôlego à exploração sexual de mulheres, de acordo com a Anistia Internacional. Em relatório divulgado nesta quinta-feira, a entidade afirma que o tráfico de mulheres e garotas para trabalhar como prostitutas também está sendo impulsionado pela presença das forças de paz. A acusação da Anistia é de que os militares das forças de paz da ONU e da Otan que mantêm a segurança na província da ex-Iugoslávia estão fazendo uso de mulheres e garotas contrabandeadas para lá a fim de satisfazer suas necessidades sexuais. Porta-vozes das forças da ONU e da Otan em Kosovo (conhecidas pelas siglas Unmik e Kfor, respectivamente) disseram que ainda não haviam visto o relatório e, portanto, não poderiam comentá-lo. Crescimento O documento da Anistia Internacional é baseado em entrevistas com mulheres e garotas que foram traficadas de países como a Moldávia, a Bulgária e a Ucrânia para trabalhar na indústria do sexo em Kosovo. Elas dizem que foram negociadas a traficantes por preços que vairam entre 50 euros e 3,5 mi euros (de R$ 180 a R$ 12,6 mil). As vítimas, de acordo com os depoimentos colhidos pela Anistia, são muitas vezes atraídas com promessas de trabalho, mas acabam sendo escravizadas e forçadas à prostituição. As forças de paz internacionais, de acordo com o relatório, têm um papel importante para tornar o tráfico de mulheres um negócio lucrativo em Kosovo. A Anistia diz que, desde que cerca de 40 mil soldados da Otan e outras centenas da ONU foram enviados ao local, em 1999, “o que era um mercado de pequeno porte se transformou em uma indústria de grande porte baseada no tráfico gerenciado por redes criminosas organizadas”. Neste período, diz o relatório, o número de lugares onde as vítimas podem ser exploradas – como bares e casas noturnas – aumentou de 18 para mais de 200. Apesar de as forças internacionais representarem 2% da população de Kosovo, elas respondem por 20% do mercado para mulheres traficadas ilegalmente, conclui o documento da Anistia Internacional. |
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