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Atualizado às: 19 de março, 2004 - 17h25 GMT (14h25 Brasília)
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Perguntas e respostas sobre a escalada da violência em Kosovo
Forças de paz da Otan em Kosovo
Forças de paz da Otan tentam controlar conflitos
Muitas pessoas foram mortas nos confrontos entre sérvios e cidadãos de etnia albanesa em Kosovo, no que está sendo percebido como o pior episódio de violência na Província administrada pela ONU desde que acabou a guerra em 1999.

O especialista em sudeste da Europa da BBC, Gabriel Partos, analisa o que está por trás dos últimos eventos e para onde eles podem ir.

O que desencadeou os últimos confrontos?

Dois incidentes no começo da semana desencadearam a violência que tomou conta de muitas áreas em Kosovo.

Na segunda-feira, um jovem sérvio foi seriamente ferido no que teria sido um ataque por motivos étnicos no vilarejo de Caglavica, perto de Pristina.

Sérvios da localidade reagiram com a construção de barreiras nas estradas. Em resposta, kosovares albaneses marcharam em direção ao vilarejo e queimaram casas de sérvios.

Confrontos muito mais sérios ocorreram no norte do país, em Mitrovica, cidade dividida etnicamente. Eles foram decorrência da morte de dois meninos albaneses, que se afogaram na terça-feira depois de, segundo relatos, terem sido perseguidos até o rio Ibar por jovens sérvios.

As notícias dos incidentes em Mitrovica parecem ter originado violência em meia dúzia de localidades em todo Kosovo, a maioria envolvendo ataques de albaneses à minoria sérvia.

Quais as origens dos confrontos em Kosovo?

Kosovo tem uma longa história de inimizade étnica.

Para os albaneses de Kosovo, as coisas pioraram quando o ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic aboliu, na prática, a extensa autonomia de Kosovo que existia desde 1989.

Depois de anos de um regime de opressão direta de Belgrado sobre Kosovo, kosovares albaneses começaram uma guerrilha em 1998.

Um ano depois, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) interveio com a intenção declarada de impedir, e depois reverter, a campanha de limpeza étnica contra os albaneses.

Uma série de ataques aéreos pela Otan durante 11 semanas levaram à retirada das forças sérvias de Kosovo em junho de 1999.

A volta de kosovares albaneses para suas casas foi acompanhada de mortes de sérvios por vingança e muitos deles fugiram de Kosovo.

Qual o atual equilíbrio populacional entre kosovares albaneses e sérvios?

Não existem números oficiais, porque não foi feito um censo depois da guerra.

Estimativas sugerem que menos de 100 mil sérvios, menos da metade do que existia antes da guerra, ainda estão em Kosovo, que tem uma população de cerca de 2 milhões de habitantes.

O restante é majoritariamente formado por kosovares albaneses, embora haja pequenas comunidades de ciganos, eslavos e turcos muçulmanos, alguns dos quais sofreram nas mãos de extremistas kosovares albaneses.

Quase a metade dos sérvios que ficaram moram na região de Mitrovica, uma cidade dividida etnicamente, onde os sérvios vivem nos bairros do norte e os albaneses, no sul.

Há grupos de sérvios em diferentes áreas de Kosovo, que são protegidos por tropas de paz lideradas pela Otan.

Por que a violência ressurgiu agora, depois de um período de calma relativa?

Suspeitas e hostilidades entre os grupos étnicos têm sido freqüentes.

Em um ambiente tenso como esse, até mesmo um único incidente trágico – como o afogamento dos meninos albaneses – pode funcionar como a faísca que reacende as chamas da violência étnica.

As tensões tendem a crescer perto da data de aniversário da intervenção da Otan em Kosovo, 24 de março. A guerra de 1999 traz de volta lembranças doloridas para as duas comunidades.

Além disso, kosovares albaneses estão irritados por causa de comentários recentes do novo primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, que reviveu a idéia de criar cantões em Kosovo. Para os kosovares albaneses, isso equivale à divisão de Kosovo.

Tudo isso está acontecendo em momento de polarização decorrente das preparações para a segunda eleição parlamentar do pós-guerra, em outubro.

Quais as chances de conter a violência?

A melhora na segurança nos últimos anos tem sido crescente, embora não seja espetacular.

Como resultado, o contigente de tropas de paz foi reduzido de quase 50 mil no fim da guerra para 18.500.

A Administração da ONU em Kosovo (Unmik, na sigla em inglês) pode ter acreditado que os confrontos entre multidões rivais – vistos pela última vez há dois anos – fizessem parte da história.

Agora, a Otan teve que correr com reforços da Bósnia para aumentar sua presença.

De um lado, há o perigo de a violência gerar mais violência.

No entanto, a tendência de longo prazo sugere que a luta política tem substituído o uso da força e há uma boa chance de as tropas de paz, depois de algum tempo, conterem a violência, mesmo que não tenham sido capazes de cortar o mal pela raiz.

Por quanto tempo a Otan deve ficar em Kosovor?

O compromisso da Otan é de ficar por prazo indeterminado. Ninguém espera uma solução rápida para a questão do Kosovo.

E mesmo que se chegue a uma solução negociada – que na melhor das hipóteses aconteceria em três ou quatro anos –, as forças de paz lideradas pela Otan precisariam ficar para garantir um ambiente seguro para os habitantes de Kosovo, especialmente sérvios, e garantir as medidas para um acordo.

Mas, assim como na Bósnia, a Otan espera ser capaz de reduzir suas tropas em Kosovo quando as condições permitirem.

Qual o futuro de Kosovo?

Embora sob administração da Unmik – que tem poder de veto sobre instituições do governo multiétnico –, Kosovo formalmente pertence à união de Sérvia e Montenegro.

No longo prazo, Belgrado gostaria de reafirmar seu controle sobre a província.

Mas os kosovares albaneses querem a independência.

O plano da Otan é assegurar padrões antes de status – ou seja, construir uma sociedade com altos padrões democráticos, do Estado de direito e de tolerância étnica, antes do início de negociações para determinar o futuro de Kosovo.

A Otan pretende fazer uma avaliação em meados do próximo ano para avaliar o que foi alcançado.

Se a avaliação mostrar resultados positivos, negociações sobre o futuro de Kosovo podem começar em 1006.

Mas se a recente onda de violência continuar, esse calendário tentativo provavelmente mudará e o processo todo pode demorar mais tempo.

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