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Atualizado às: 18 de março, 2004 - 17h49 GMT (14h49 Brasília)
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Análise: Violência em Kosovo desperta temor de novo conflito

Violêrncia em Kosovo
Violência em Mitrovica é pior conflito étnico em quatro anos
O surto de violência da quarta-feira em Mitrovica é o pior choque étnico no Kosovo em quatro anos.

Nos últimos anos, houve uma constante melhora na situação da segurança na região.

Kosovo foi colocado sob administração da Organização das Nações Unidas (ONU) depois que a campanha de bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) levou a uma retirada das forças de segurança sérvias da região, em 1999.

Houve atos isolados de violência entre grupos étnicos – na maioria dos casos, abria-se fogo contra sérvios que permaneceram em Kosovo depois que dezenas de milhares de outros sérvios fugiram da província, há cinco anos.

Mas a ONU pode ter acreditado que o tipo de enfrentamento ocorrido na quarta-feira era coisa do passado.

Agora, organizações internacionais e países envolvidos no processo de paz de Kosovo foram rápidos em condenar a violência.

"Esses atos criminosos são completamente inaceitáveis e ameaçam o progresso de Kosovo em diração ao um futuro melhor", disse um porta-voz de Javier Solana, encarregado da política externa da União Européia (UE).

"O que a UE quer é que os perpetradores sejam levados à Justiça. A UE apela a todos os líderes políticos que se unam à condenação (da violência) e à luta contra a violência", concluiu Solana.

Por quê?

A próxima quarta-feira marca o quinto aniversário do início do bombardeio da Otan, e o período próximo a essa data costuma ser tenso.

Ele lembra aos albaneses a campanha de limpeza étnica do governo da Sérvia contra eles. Os sérvios lembram como se tornaram alvo da violência e expulsão depois que as forças de segurança se retiraram de Kosovo.

Kosovares de origem albanesa mais radicais, que se opuseram às conversações com o governo de Belgrado, também podem ter inspirado alguma violência que se seguiu à abertura de conversações em meados deste mês entre representantes sérvios e albaneses.

As conversações foram as primeiras significativas entre os dois lados desde a guerra.

Outros ficaram irritados com a sugestão de que o novo primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, de que Kosovo deveria ser dividida em cantões conforme sua composição étnica.

Os albaneses rejeitam essa proposta, alegando que ela implicaria no retalhamento de Kosovo.

A violência também ocorre num momento em que se aproximam as eleições parlamentares de Kosovo, programada para o segundo semestre.

A polarização política é parte da campanha eleitoral ainda extra-oficial - e nem toda ela é dirigida de uma etnia contra a outra.

No incidente mais notório do tipo, na semana passada, uma granada foi lançada na residência do presidente de Kosovo, Ibrahim Rugova.

Rugova representa a ala mais moderada dos políticos de origem albanesa de Kosovo.

O ataque muito possivelmente pode ter sido obra de extremistas kosovares de origem albanesa.

Mas, por enquanto, o perigo real é a intensificação da violência entre grupos étnicos.

Num momento em que a administração da ONU estabelece parâmetros para um governo democrático local e o estado de direito, a última coisa que a organização deseja é uma volta à instabilidade que foi a marca registrada de seus primeiros anos em Kosovo.

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