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Presença brasileira no 'mercado da noite' suíço diminui

Prostituição
Prostitutas do Leste Europeu são maioria na Suíça
Depois de terem dominado as noites suíças com strip-teases, shows de dança em cabarés e participação no 'mercado do sexo', as brasileiras e latino-americanas foram superadas pelas mulheres do Leste Europeu.

A existência de uma permissão legal para as "trabalhadoras da noite" na Suíça permite as comparações por nacionalidade.

Em 1990, com o fim da União Soviética, as mulheres do Leste Europeu que começaram a chegar à Suíça eram 110, de um total de 1.230 permissões. No ano passado, no entanto, elas obtiveram mais de 900 dos 1,2 mil vistos concedidos, com predominância das ucranianas, romenas e russas.

As brasileiras, que há 14 anos obtiveram 220 vistos, agora são apenas 80. Há dez anos, elas eram 250 e, com as latino-americanas, dominavam o mercado – formavam um grupo de mais de 800.

Os números foram divulgados por Dorothea Winkler, do Centro de Informações para Mulheres da África, Ásia, América Latina e Europa Oriental, em Zurique.

Exploração

De acordo com Winkler, a queda do muro de Berlim e o fim da 'cortina de ferro' abriram caminho para a emigração das mulheres do Leste Europeu, criaram um novo modismo nas casas noturnas e substituíram pouco a pouco as morenas brasileiras ou dominicanas.

Entretanto, a situação dessas mulheres, mesmo com novas leis e o visto L, de artistas de boate, pouco mudou, e elas continuam sujeitas à exploração e praticando, geralmente ao mesmo tempo, a prostituição.

"A lei é uma coisa, mas a prática é outra", diz Dorothea. "As mulheres dependem dos cabarés, e existe mesmo um problema de saúde, pois elas são obrigadas a tomar champanhe em excesso para forçar os clientes a gastar."

"Em síntese, existem problemas de saúde, violência, do não pagamento dos salários dos contratos e dos seguros-saúde pelos cabarés. Algumas mulheres são levadas à prostituição pelos cabarés, outras se prostituem elas mesmas."

A prostituição é permitida na Suíça, mas não para as estrangeiras com a autorização de estadia L ou com visto de curta duração, exceto se já chegam casadas com um suíço ou com alguém que possui um visto definitivo.

Mulheres estrangeiras com visto de permanência de longa duração, que trabalham, podem mudar de profissão para se tornar prostitutas. Alguns cantões permitem que se prostituam as que possuem visto anual de permanência.

Muitas das prostitutas são contratadas para trabalhar nos salões de massagens, onde podem ser exploradas.

O aliciamento das mulheres da noite é feito nos países de origem por suíços ou brasileiros, no caso das brasileiras, pois elas precisam de visto de entrada, válido por três meses, e que pode ser prorrogado a até oito meses.

Após esse prazo, elas devem deixar a Suíça por dois meses e, depois, podem retornar se obtiverem novo contrato.

Os contratos com os cabarés são de curta duração, o que as obriga a trocar constantemente de cidades, forçando-as a aceitar os apartamentos alugados pelos cabarés por um preço que chega a ser três vezes maior que o habitual.

A situação observada na Suíça não é única. As dificuldades econômicas nos países do Leste Europeu e a existência de máfias russas do sexo estão provocando uma mudança no perfil das mulheres nas noites européias.

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