|
Tasso diz que Alckmin vai propor fusão das polícias | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, vai propor a unificação das polícias civil e militar dos Estados brasileiros como parte de seu plano de segurança pública. A afirmação foi feita nesta sexta-feira, em Nova York, pelo presidente do PSDB, Tasso Jereissati, durante uma palestra para uma platéia de analistas econômicos e cientistas políticos no centro de pesquisas Americas Society. Quando perguntado se a proposta da unificação das polícias já está madura a ponto de ser lançada como parte da plataforma, Jereissati foi categórico: "Ah, sim!". "Em médio prazo, nós temos uma política pública a oferecer: isso aí durante a campanha. E essa campanha passa por isso", afirmou. "Uma profunda transformação do aparelho policial brasileiro é fundamental e isso também tem proposta correndo, mas existe também uma resistência corporativa muito grande", acrescentou. "No Brasil, o crime organizado atingiu um estado pré-Máfia", disse Jereissati. "Para combatê-lo, precisamos transformar o sistema policial e de uma nova legislação, atualizando o que fez a Itália e o que fez a França e o que acontece aqui nos Estados Unidos." "Estamos correndo o risco de perder o controle do Estado", disse. "Isso tem a ver com política social e urbanística de longo prazo, mas tem a ver com políticas de reforma estrutural da polícia brasileira de curto e médio prazo", acrescentou. O evento em Nova York deveria ter também contado com a participação do presidente do PT, Ricardo Berzoini, que não compareceu. "Mea culpa" Jereissati observou que a fusão das polícias civil e militar dos Estados só poderá ser feita por meio de uma mudança da legislação federal. "A Constituição diz que é obrigatório ter Polícia Militar e Polícia Civil. É preciso mudar isso", afirmou. "Quando falo em transformação das polícias é porque você tem uma legislação federal hoje que, pela Constituição, é obrigado a ter duas polícias. Só se pode fundir as polícias se mudar a Constituição. Então tem que mudar a legislação federal para poder fazer uma reforma estrutural". Jereissati defendeu também uma nova legislação sobre as polícias municipais, "designando para elas papéis menores e mais pontuais". Já ao governo federal, segundo ele, caberia o patrulhamento das fronteiras, "de onde vêm as armas e drogas que abastecem o crime organizado". A recente onda de violência em São Paulo gerou críticas contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva federal e contra políticos do PSDB, partido que governou o Estado na última década. Indagado sobre quem, entre governantes e políticos, deveria assumir a responsabilidade pela crise, Jereissati disse que "todo mundo tem que fazer mea culpa". A seguir ele citou o próprio nome, além de Geraldo Alckmin, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos e do presidente do Senado, Renan Calheiros. Impacto político Jereissati admitiu que, num primeiro momento, a onda de violência deverá ter um impacto negativo sobre a imagem de Alckmin, que governou São Paulo nos últimos anos. Mas ele acrescentou que, ao longo da campanha presidencial, a questão também deverá prejudicar a imagem do presidente Lula. "A violência urbana é uma questão que atinge todo o país, e como 70% da população brasileira vive em grandes cidades, essa é uma questão nacional." De acordo com o presidente do PSDB, a atual legislação penal brasileira "protege o preso contra o Estado", sendo um resultado da reação da sociedade civil a abusos cometidos pela ditadura militar contra presos políticos. "Acontece que hoje nós não temos mais presos políticos, e o crime organizado tem tirado vantagem de uma série de regalias, como o direito de se comunicar, formando uma rede que inclui seus advogados e informantes." Ataques a Lula Jereissati criticou a ausência do presidente do PT, Ricardo Berzoini no evento da Americas Society. Berzoini cancelou sua participação sem fornecer justificativa. "Como sempre, eles não apareceram", disse Jereissati. Questionado sobre de que maneira o PSDB vai tratar o tema da corrupção na campanha presidencial, Jereissati disse que o partido "vai mostrar a verdade sobre o Lula". "Lula está conseguindo de uma maneira muito hábil colocar a culpa nos outros e se colocando diante da população como traído pelos próprios companheiros", disse. "Ele derrubou José Dirceu, derrubou Genoíno, derrubou Palocci, derrubou Delúbio, que era um de seus maiores amigos e um homem de confiança seu, e derrubou o pobre do Silvinho Pereira, como maluco, e se colocou como vítima e traído por todos os seus amigos de vida inteira." |
NOTÍCIAS RELACIONADAS Isolamento de presos pode ajudar Brasil, diz juiz 18 maio, 2006 | BBC Report Violência em SP e terror 'causam trauma semelhante'17 maio, 2006 | BBC Report Consultoria de risco recomenda cuidado a executivos no Brasil16 maio, 2006 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||