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Atualizado às: 08 de maio, 2006 - 16h37 GMT (13h37 Brasília)
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CIA fará outro esforço para se recompor com seu novo diretor

Brigadeiro Michael Hayden
Nomeação de Hayden gera polêmica em Washington
O governo de George W. Bush está desmoralizado e raras vezes na sua história a CIA esteve com o moral tão baixo. Não parece uma combinação muito promissora.

Basta ver que controvérsias bipartidárias no Congresso americano emergiram mesmo antes de o presidente ter oficializado nesta segunda-feira o nome do seu indicado para ser o novo diretor da Agência Central da Inteligência.

O indicado é o brigadeiro da Força Aérea Michael Hayden, que deverá ser submetido à sabatina de confirmação no Senado.

A CIA tem sido sinônimo de turbulência durante boa parte do governo Bush em razão de seus fracassos para impedir os ataques do 11 de setembro e falhas nas estimativas sobre o programa de armas de destruição em massa do Iraque antes da invasão de 2003.

Para complicar o cenário, a agência não encontrou um lugar ao sol na luta contra o terrorismo após a reorganização do aparato de inteligência e segurança.

Nos 18 meses de comando de Porter Goss, forçado a renunciar na sexta-feira passada, o moral despencou em meio à debandada de veteranos profissionais e acusações de politização da missão da agência.

Reorganização

O brigadeiro Hayden, o indicado de Bush, é justamente um sobrevivente do terremoto da reorganização realizada por recomendação da comissão independente que investigou os atentados do 11 de setembro.

A CIA e outras 15 agências do sistema de inteligência e segurança hoje são supostamente coordenadas pelo diplomata de carreira John Negroponte, diretor de Inteligência Nacional. O brigadeiro Hayden é o lugar-tenente de Negroponte.

Hayden tem uma longa carreira dentro do sistema. Antes de trabalhar com Negroponte, ele foi diretor da ultra-secreta Agência Nacional de Segurança e aqui está uma das controvérsias.

Hayden tocou o polêmico programa de escuta eletrônica doméstica de suspeitos de terrorismo sem mandado judicial após os atentados do 11 de setembro.

Assim que o nome de Hayden vazou para dirigir a tradicionalmente civil CIA, surgiu outra polêmica.

Ele é militar de carreira e o Pentágono de Donald Rumsfeld está em uma agressiva e bem sucedida campanha para controlar o trabalho de inteligência.

O departamento já está de posse de 80% dos estimados US$ 40 bilhões do orçamento do setor e se o nome de Hayden for confirmado todas as agências importantes de inteligência serão chefiadas por militares.

Para dar uma medida histórica, o último oficial de carreira que dirigiu a CIA foi o almirante Stansfield Turner, no governo Carter, nos anos 70.

Controvérsia

A Casa Branca estima que exista mais fumaça do que fogo nas controvérsias. A questão da legalidade das escutas eletrônicas seguramente será destaque na sabatina no Senado, mas a opinião pública nunca se mostrou indignada com a prática.

Sobre o currículo militar de Hayden, seus defensores lembram que ele nunca foi próximo de Rumsfeld, que por sinal está sendo submetido a uma fuzilaria de generais da reserva por sua condução da guerra do Iraque. Rivalidades burocráticas em Washington são a praxe.

Ironicamente as controvérsias sobre a escuta eletrônica e o status militar de Hayden ofuscam graves desafios para a CIA, que por sinal tem um papel cada vez menos influente na comunidade de inteligência.

Um deles é a falta de acesso a informações mais precisas sobre a escala dos programas nucleares do Irã e Coréia do Norte.

As controvérsias em torno da indicação de Hayden também têm muito de teatro. Para políticos republicanos, interessa se distanciar da Casa Branca a menos de seis meses das eleições no Congresso.

E os democratas, claro, não querem perder uma oportunidade para revelar problemas do governo Bush, em particular na área de segurança nacional, seu ponto forte.

A expectativa, de qualquer forma, é de uma rápida confirmação do nome do brigadeiro Hayden para dirigir a CIA.

Mais uma vez, na reforma do seu alto comando o presidente Bush optou por alguém de dentro. O todo poderoso vice-presidente Dick Cheney é próximo de Hayden, assim como era do descartado Porter Goss.

Para Cheney, o foco do novo diretor da CIA deverá ser menos analítico e mais na missão de coletar informações sobre a ameaça e os alvos do terror global.

Com tantas turbulências dentro da comunidade de inteligência, estes riscos de ataques talvez sejam maiores.

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