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Atualizado às: 07 de maio, 2006 - 19h36 GMT (16h36 Brasília)
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Criação de forças de paz da ONU é 'vital' para Darfur
Conflitos entre rebeldes e milícias que apóiam o governo deixaram mais de 2 milhões de refugiados
O mais alto funcionário da ONU ligado a assuntos humanitários disse neste domingo que é vital que forças de paz da ONU possam operar na região de Darfur, no Sudão para acabar com a crise humanitária.

Falando no primeiro dia de sua viagem a Darfur, o Coordenador do Escritório para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Jan Egeland disse à BBC que há um mar de milícias na região e sem segurança, não pode haver trabalho humanitário.

Egeland chegou a Darfur, no oeste do país, para avaliar as condições na região e nos campos de refugiados no vizinho Chade.

Um acordo entre o governo e o mais influente grupo rebelde de Darfur foi assinado na última sexta-feira e criou esperanças de que o governo permita a entrada de forças de paz para substituir os soldados da União Africana que estão na região.

Tropas de Paz

O governo sudanês vinha afirmando que só consideraria permitir a chegada de forças de paz se um acordo de paz fosse assinado.

Cerca de 7 mil soldados da União Africana patrulham a região, que tem o mesmo tamanho do estado de Minas Gerais, o que torna impossível impedir o conflito.

Os três anos de conflitos já mataram 200 mil pessoas e criaram mais de dois milhões de refugiados.

"No momento, Darfur está sendo estrangulada, está morrendo à nossa frente," disse Egeland.

"Metade da população é de vítimas da guerra," acrescentou pedindo que o mundo coloque pressão sobre as diferentes facções no país.

Egeland deu a entrevista na cidade de Gereida, controlada pelo grupo rebelde Movimento de Libertação do Sudão, que assinou o acordo de paz.

Milhares de pessoas foram obrigadas a fugir de seus vilarejos em volta de Gereida nas últimas semanas e a ONU tem alertado para o perigo iminente de desastre.

Egeland também manteve encontros com o vice-governador de Nyala, no sul de Darfur e pediu acesso ilimitado para funcionários de organizações humanitárias, como acertado no acordo de paz.

Nesta segunda ele volta a Cartum para encontros com representantes do governo.

Ajuda de emergência

A ONU afirma que o conflito é uma das piores crises humanitárias do mundo e falta dinheiro.

Em maio, os refugiados vão receber metade da ração que vinham recebendo até agora. Muitos dos dois milhões de refugiados vão passar fome.

Segundo Jonah Fisher da BBC, que viaja com Egeland, no mês passado o coordenador da ONU foi impedido de viajar ao país.

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