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Atualizado às: 01 de maio, 2006 - 22h46 GMT (19h46 Brasília)
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Horrores continuam em Darfur dois anos depois

Zeinab, de 12 anos, tem pesadelos todas as noites
Uma viagem ao sul de Darfur é uma oportunidade para ver os horrores da guerra na região.

Tropas da União Africana nos levaram para visitar vilarejos desertos, sem gente e sem gado.

Mais de dois milhões de pessoas tiveram que fugir de suas casas desde que o conflito começou, em 2003. Na época rebeldes em sua maioria não-árabes fizeram um levante, acusando o governo de discriminação.

Visitando as cidades abandonadas, ficou claro que as pessoas fugiram sem preparação. Vimos potes quebrados, um pé de sapato de criança no chão, objetos abandonados.

Lágrimas

As milícias Janjaweed vem realizando há muitos meses uma campanha de destruição com a suposta ajuda do governo sudanês.

Para esvaziar o movimento rebelde os janjaweeds vêm atacando civis. Na área em que visitamos mais de 90 vilarejos foram queimados, destruídos ou abandonados até março.

Dois anos depois de a comunidade internacional ter acordado para a crise de Darfur, a realidade é que ainda há vilarejos sendo queimados e civis forçados a fugir.

O número de mortos desde o início do conflito é estimado em 300 mil. E aqueles que foram forçados a fugir e se viram na condição de deslocados, agora vivem em campos como o de Dar Es Salaam: uma faixa de seis quilômetros de poeira e tendas de plástico.

As mulheres andam com suas roupas coloridas. Sentada com sua mãe, está Zeinab, de 12 anos. Ela conta o que aconteceu quando os Janjaweed chegaram a seu vilarejo.

"Eles começaram queimando tudo. Eu vi velhos que morreram porque não conseguiram sair a tempo. Mesmo a minha avó. Nós a deixamos na casa e eles queimaram a casa," disse, virando a cabeça para o outro lado, fazendo força para não chorar.

"Tenho medo. Quando durmo sempre vejo Janjaweed queimando minha cidade," contou.

Medo

Há muitos perigos em Darfur. Quando as mulheres deixam o campo para buscar lenha, as milícias Janjaweed estão à espreita.

Muitas foram estupradas e as tropas da União Africana patrulham estes locais. Esta é a maior parte do trabalho destes soldados, que têm um mandato limitado, falta de equipamentos e de pessoal.

Baba Gana Kingibe, chefe da missão da UA, acha que a comunidade internacional deveria fazer mais: "A comunidade internacional deveria se arrepender e sentir remorsos".

"Especialmente depois de Ruanda, quando todo mundo apontava o dedo para todo mundo," completa.

Enquanto o mundo discutia, hesitava e esquecia, Zeinab sofria. Ela queria ser professora de inglês. Agora todos os sonhos foram desfeitos e ela acorda todas as noites assustada.

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