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Annan: Reação à tragédia em Darfur foi 'hesitante' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse em entrevista à BBC que o mundo tem respondido de forma "hesitante e inescrupulosa" à crise humana em Darfur, no Sudão. "Nós fomos lentos, hesitantes, inescrupulosos, e não aprendemos nada de Ruanda", afirmou Annan ao programa de televisão da BBC Panorama, referindo-se ao país que foi palco do genocídio de 800 mil pessoas da etnia tutsi em 1994. Estima-se que 200 mil pessoas já tenham morrido em Darfur, província no oeste do Sudão, nos últimos dois anos, desde que grupos locais se rebelaram contra o que dizem ser a marginalização da maioria negra pelo governo central de Kharthoum. Desde então, 2,4 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar as suas casas por causa da violência e os problemas da fome e das doenças se agravaram no país. A própria ONU foi muito criticada na época do genocídio de Ruanda por não tomar providências apesar dos avisos da equipe baseada no Sudão. No caso de Darfur, Annan tem pressionado por medidas internacionais, mas as suas declarações à BBC são as mais incisivas que ele já fez sobre o assunto. Há uma pequena força da União Africana para monitorar a situação. Nas áreas em que a força está presente, a situação melhorou. O ministro britânico para o Desenvolvimento Internacional, Hilary Benn, acredita que a violência tenha diminuído de uma forma geral por causa da possibilidade de os líderes sudaneses responderem aos crimes no Tribunal Penal Internacional de Haia, na Holanda. Um relatório da ONU divulgado no início deste ano indicou que tanto rebeldes como as milícias árabes que atuam no país poderão ser responsabilizados por crimes cometidos nos últimos dois anos. |
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