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Atualizado às: 26 de abril, 2006 - 18h45 GMT (15h45 Brasília)
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Emergentes devem fazer mais para Doha, diz UE

Peter Mandelson
'Queremos um resultado ambicioso, mas também realista.'
Brasil, Índia, China e outros países emergentes devem fazer mais nas negociações da Rodada de Doha, afirmou nesta quarta-feira o comissário de comércio da União Européia (UE), Peter Mandelson.

Para a UE, os países que formam o G20 "não estão dando os sinais que precisamos sobre a eliminação de suas altas tarifas industriais que atualmente bloqueiam o comércio".

O comissário se reuniu hoje com a comissária de agricultura, Mariann Fischer Boel, e com o Executivo comunitário para analisar o estado atual das discussões na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Depois de falhar em cumprir o prazo para a conclusão da Rodada de Doha, estabelecido para este mês, os envolvidos agora esperam chegar a um acordo até junho, mas estão reticentes em fixar uma nova data.

Realismo

"Nosso objetivo é concluir as negociações este ano. Entretanto, isso não será a qualquer preço", afirmou Mandelson.

"Queremos um resultado ambicioso, mas também realista."

A discussão continua a mesma, em torno de três pontos cruciais que unem sempre duas partes contra a terceira.

UE e Estados Unidos coincidem em que os países do G20 devem avançar na abertura dos setores industriais e de serviços.

'Sacrifício'

O G20, com apoio dos norte-americanos, pede que os europeus permitam um maior acesso ao mercado agrícola comunitário.

Já a UE se alia ao G20 para exigir dos Estados Unidos uma redução nos subsídios internos agrícolas.

"O desafio é formar um triângulo equilátero com essas três exigências", explicou à BBC o conselheiro da Missão do Brasil para a UE, Carlos Márcio Cozendey.

Na coletiva de hoje Mandelson insistiu em que o maior problema são as exigências feitas pelos países em desenvolvimento.

"A Rodada de Doha não é um acordo puramente mercantilista. Mas também não pode ser uma barganha de via única na qual se espera que a Europa seja o único agente para fechar o acordo", defendeu.

Respaldando-se em informações de empresários europeus, o comissário alegou que a UE "está à beira de um sacrifício agricultural".

Ainda assim, disse que a reforma da Política Agrária Comum européia deixará uma "margem de manobra" e que a UE está disposta a aproveitá-la para melhorar sua proposta nessa área.

Mas lembrou que o passo adiante só será dado se o G20 avançar "proporcionalmente" nos outros setores.

Mandelson também pediu que o Brasil coordene suas propostas com os outros países envolvidos na negociação e disse que não há espaço hoje em dia para movimentos unilaterais.

Do lado brasileiro, Cozendey afirma que o Brasil não pretende fazer maiores concessões sem antes receber o mesmo dos europeus.

Na última reunião com representantes da UE e da OMC, em março no Rio de Janeiro, o governo brasileiro concordou em abrir áreas econômicas como a de bens industriais, serviços financeiros e transporte marítimo em troca de uma maior abertura agrícola por parte da UE.

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