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'Vítima não-oficial' de Chernobyl quer mais cuidado do governo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Dmytro Yatsyuk pode ser considerada uma das vítimas não oficiais do desastre de Chernobyl. Morador da capital ucraniana, Kiev, ele tinha 11 anos quando ocorreu o desastre na usina. Acompanhe seu depoimento exclusivo à BBC Brasil: "Certo dia na escola, uma semana após o acidente, uma professora chegou alarmada e mandou todos os alunos para casa", diz ele. "Ela mandou que todos fechássemos as janelas, as portas, e não saíssemos para brincar na rua." Problema "Meu pai e madrasta não se alarmaram muito, dizendo que não era nada, já que tinha ocorrido há uma semana. 'A nuvem já foi para a Finlândia', dizia meu pai." "Toda a informação que recebíamos era mentira." Dmytro diz que nas duas semanas seguintes, os pais mais esclarecidos não enviaram seus filhos à escola. "Em uma semana, dos cerca de trinta colegas, restaram apenas cinco na minha classe." A escola foi evacuada e os estudantes mandados compulsoriamente para uma colônia de férias nos três meses seguintes. Quando voltou a Kiev, não demorou muito até que Dmytro começasse a perceber que havia algo errado. Dependência "Em dezembro de 1986, janeiro de 1987, começou a cair meu cabelo. Em seis meses perdi todo o cabelo, inclusive das sobrancelhas." Ele diz que fisicamente não sentiu outras sequelas, mas o problema foi psicológico. "Tinha 12 anos, época de começar a namorar. Me senti mal por ser rejeitado socialmente." Outro problema foi que Dmytro nunca foi oficialmente diagnosticado oficialmente como sendo uma vítima do desastre. "Sempre fui tratado como paciente de outras doenças, como pancreatite, etc." "Em 1993, tentei entrar em uma clínica especializada, mas me negaram sob pretexto de eu ser residente de Kiev, portanto uma zona alegadamente não atingida." "Em 1998, tentei novamente, mas me negaram. Não quiseram fazer análises." "Os moradores de Kiev têm que fazer essas análises de forma clandestina." Dmytro se mudou com a mãe em meados dos anos 90 para Moçambique. Estudou e trabalha com turismo na capital do país, Maputo e, embora admita uma certa mágoa com o que aconteceu, afirma não esperar receber nenhuma indenização do governo. "Eu gostaria que o governo cuidasse da segurança da população, já que a Ucrânia não pode abrir mão da energia nuclear." |
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