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A Fofoca da Fofoca | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O New York Times nunca teve um colunista social com notinhas de quem chegou, viajou, bombou, está divina, nota dez, deu vexame ou latiu quando a caravana passou. Isto não impede que o Times dê um tratamento investigativo a um escândalo envolvendo a mais lida coluna social de Nova York. A primeira matéria do Times sobre "Page 6", do New York Post, tinha sete assinaturas, cinco de repórteres e duas de contribuintes. "Page 6" é uma coluna social criada pelo magnata da imprensa Rupert Murdoch em 1977, no estilo dos tablóides ingleses: confete nos amigos, lama e verdade nos inimigos, quem sobe e quem desce passa pela coluna. Até o escândalo, 40% dos leitores diziam que compravam o jornal para ler "Page 6". Um dos seus colunistas mais agressivos era Jared Paul Stern, fina estampa, posudo, conhecido pelas roupas finas e o extravagante chapéu de feltro e aba larga, um estilo que, se não me engano, nem sei porque, no Brasil é chamado "diplomata". Aqui é "fedora". Desde meados do ano passado, o "Page 6" começou a publicar notas venenosas sobre Ronald W. Burkle, um bilionário da Califórnia, dono de supermercados, avesso a publicidade, contribuinte do partido democrata, amigo pessoal de celebridades e políticos, entre eles o ex-presidente Clinton. Uma das notas dizia que o bilionário estava comprando uma grande agência de modelos que seria dirigida pelo ex-presidente Clinton. Outra sugeria um afffair entre o bilionário e a modelo Gisele Bündchen. Ronald W. Burkle escreveu para o próprio Murdoch, conhecido dele, informando sobre as notas, pedindo ao dono que tomasse providências para evitar novos erros. Murdoch não agiu, mas Burkle recebeu um e-mail do colunista informando como o bilionário poderia parar com a publicidade negativa. Burkle, muito vivo, percebeu a possibilidade da chantagem e armou os encontros com câmeras e áudio escondidos. Tiveram pelo menos dois tête-à-tête. O pressentimento dele estava certo. O colunista pediu US$ 100 mil em dinheiro e outros US$ 10 mil mensais para acabar com o "tratamento negativo". Informou ainda que tinha acordos semelhantes com vários "colunáveis", entre eles um dos fundadores do estúdio Miramax e com o presidente da Revlon. O conteudo completo das fitas ainda não é conhecido. Elas estão com a polícia. Tremendo rebu. O colunista, nota zero, acusado pelo bilionário, está afastado do Post, a coluna em crise de credibilidade, o concorrente, Daily News, em delírio, e o Times comprova que a melhor fococa é a fofoca da fofoca. |
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