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Atualizado às: 18 de abril, 2006 - 21h13 GMT (18h13 Brasília)
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Bush discute redução de déficit com líder chinês

O presidente chinês Hu Jintao
China é o terceiro maior parceiro comercial dos Estados Unidos
A redução e futura eliminação do déficit comercial com a China será um dos pontos principais da conversa do presidente chinês, Hu Jintao, com o presidente americano, George W. Bush.

O líder chinês chegou aos Estados Unidos nesta terça-feira para compromissos em Seattle, no Estado de Washington, e será recebido pelo presidente americano na Casa Branca na quinta-feira.

De acordo com o governo americano, os dois devem discutir um plano de ação de cinco pontos, anunciado pelo governo chinês em março, que inclui a redução das exportações e o aumento das importações da China, com o objetivo de equilibrar a balança comercial chinesa.

A China é o terceiro maior parceiro comercial dos Estados Unidos, o mercado de exportações que mais cresce, e também o maior déficit comercial do país.

No ano passado, o déficit foi de US$ 202 bilhões. O volume cresceu muito nos últimos anos e assustou os americanos, que culpam o que vêem como uma "invasão" de produtos chineses pela perda de empregos industriais no país.

Protecionismo

Nesta terça-feira, ao ser questionado, em uma entrevista a jornalistas estrangeiros em Washington, se o sentimento protecionista vinha da Casa Branca ou do Congresso, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Carlos Gutierrez, disse que vem "do público americano".

Gutierrez disse que gostaria de contar com a ajuda do presidente chinês para ajudar a explicar as políticas chinesas aos americanos e evitar que cresça no país um sentimento protecionista, "que evitaria que compremos o que compramos hoje".

Fábrica têxtil chinesa
Governo americano quer regras que não privilegiem empresas chinesas

"Durante a visita, o presidente Hu terá uma oportunidade de entender porque existe tanta preocupação entre o público americano com a nossa relação de comércio com a China e porque existe a percepção de que esta relação precisa de equilíbrio", afirmou.

Para manter a relação comercial entre os dois países aberta, disse Gutierrez, o governo chinês precisa dar aos Estados Unidos "condições de competir" no mercado chinês.

Os americanos insistem em três pontos: maior acesso ao mercado, proteção da propriedade intelectual, com combate à pirataria, e regras que não privilegiem as empresas chinesas em detrimento das estrangeiras.

"Somos o cliente mais importante da China. Eu me lembro que quando era executivo, quando o meu cliente mais importante me pedia alguma coisa, eu atendia. Esperamos que o governo da China ouça nossas preocupações", disse o secretário de Comércio americano.

Contratos

No início do mês, uma delegação de executivos chineses, que visitou os Estados Unidos em preparação à visita do presidente, assinou contratos no valor de US$ 16 bilhões em produtos como aviões, softwares e produtos agrícolas.

O governo americano também vem pedindo, há tempos, que o governo chinês deixe o iuan flutuar no mercado e alega que a moeda chinesa está artificialmente desvalorizada, o que aumenta a competitividade das exportações chinesas não somente para os Estados Unidos, mas também para outros países.

O governo americano classifica a relação com a China como "complexa". No encontro na Casa Branca, os dois presidentes posarão para fotos e farão uma breve declaração, mas não haverá a entrevista coletiva que normalmente acompanha visitas deste tipo.

O presidente chinês será recebido em um almoço, mas não haverá jantar em sua homenagem.

Será a primeira visita de Hu Jintao a Washington desde que ele assumiu os três postos mais importantes na estrutura política chinesa: a Presidência da República, a Presidência do Comitê Militar Central e a Secretaria-geral do Partido Comunista Chinês.

Os dois presidentes já se encontraram cinco vezes em outros eventos, de acordo com a Casa Branca. Até o fim deste ano, devem se encontrar outras quatro vezes.

Hu Jintao deveria ter visitado os Estados Unidos em setembro do ano passado, mas a visita foi cancelada por causa do furacão Katrina, no fim de agosto. Bush foi a Pequim em novembro do ano passado.

O primeiro compromisso de Hu Jintao nos Estados Unidos foi uma visita à fábrica da Boeing, fabricante de aviões que se beneficiou do crescimento da economia e do setor de aviação chinês.

O presidente chinês também tem um jantar nesta terça-feira na casa do presidente da Microsoft, Bill Gates.

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