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Atualizado às: 17 de janeiro, 2006 - 17h00 GMT (15h00 Brasília)
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Crise nuclear iraniana testa cooperação entre EUA e China

Mahmoud Ahmadinejad, presidente Irã
Mahmoud Ahmadinejad, presidente Irã, tem retórica violenta
A crise nuclear do Irã já se configura como o mais importante teste de política externa do governo Bush neste seu segundo e último mandato.

A crise é um teste mais abrangente sobre o relacionamento da única superpotência mundial com a China, o único país que provavelmente irá atingir este status nas próximas décadas.

Assim como a Rússia, um país que ainda exerce uma enorme influência geopolítica incompatível com seu poder efetivo, a China está dançando um balé sinuoso na crise do Irã.

Na ciranda diplomática das últimas semanas, ficou claro que a China está ainda mais relutante do que a Rússia para levar o caso iraniano para o Conselho de Segurança das Nações Unidas (onde ambos exercem poder de veto).

'Complicado'

Obviamente há preocupação em Pequim com a decisão de Teerã de retomar suas atividades nucleares, assim como a retórica virulenta do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

Com seus laços comerciais com o Irã e sua necessidade cada vez mais voraz de recursos energéticos, a China considera "complicada" a possibilidade do Conselho de Segurança lidar seriamente com o impasse nuclear e eventualmente caminhar para a adoção de sanções.

Tudo é complicado para a China. De um lado, existe um empenho das autoridades de Pequim em forjar boas relações com Washington e assumir um papel mais maduro no cenário internacional.

De outro, existe esta necessidade de assegurar suprimentos energéticos em qualquer parte do mundo. A China importa 40% do petróleo que consome e a percentagem deve crescer.

Com isto há um empenho para diversificar as fontes. O Irã, quarto produtor mundial de petróleo, tende a se tornar cada vez mais estratégico para Pequim, sem falar que se trata do segundo produtor de gás natural do mundo.

Uma delegação chinesa esteve em Teerã no mês passado com a finalidade de fechar as negociações para um contrato de exportação de petróleo e gás no valor de mais de US$ 100 bilhões, ao longo de 25 anos. Isto quer dizer que a parceria Pequim-Teerã é um negócio de longo prazo.

Diplomacia

Apesar de seu status emergente de superpotência com uma economia cada vez integrada com o gigante americano (seja nas exportações, seja na compra de títulos do Tesouro), a China mantém resquícios de uma diplomacia terceiro-mundista.

Por tradição, Pequim se alinha com países que desafiam a hegemonia de Washington, mesmo com a perspectiva de que isto gere turbulências perigosas e imprevisíveis na ordem internacional, como se configura nesta crise nuclear iraniana.

O resultado acaba sendo esta complicação que é um relacionamento sino-americano marcado por cooperação e competição.

O dilema para os chineses é atroz. Relutam para enquadrar efetivamente o regime xiita, mas com esta postura eles "complicam" a possibilidade de ação diplomática multilateral e assim reforçam os cenários de ataques militares, embora isto seja muito improvável a curto prazo.

Integrante do clube nuclear, a China não quer a ampliação do número de sócios.

Caso Pequim não assuma um papel de ponta para conter as ambições nucleares do Irã, será ainda mais difícil reverter o projeto da Coréia do Norte, a outra crise nuclear na qual o governo Bush não tem opções militares atraentes e precisa da cooperação chinesa.

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