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Inocência de Jean Charles só foi descoberta um dia após morte, diz jornal | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Oficiais da Scotland Yard, em declarações exclusivas ao jornal britânico The Observer, dizem que a polícia metropolitana só soube que dois de seus policiais tinham matado um inocente no dia seguinte à morte de Jean Charles de Menezes. As declarações contrariam informações de que Ian Blair, chefe da Polícia Metropolitana e alvo de uma investigação da Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês), soube que seus oficiais haviam matado um inocente horas depois do incidente, que ocorreu na manhã de 22 de julho. Segundo a reportagem, que é a manchete do jornal deste domingo, a noção de que o homem morto na estação de metrô de Stockwell poderia ser inocente só começou a se formar na madrugada do dia 23, quando o primo de Jean Charles, Alex Alves, foi interrogado por três horas pela polícia. Uma das fontes do jornal, Alan Given, que se aposentou na quinta-feira passada, era o segundo homem no comando do Departamento de Operações Centrais da Scotland Yard, já que seu chefe, o Comissário Assistente, Steve House, não estava trabalhando naquele dia. Segundo Given, quando a notícia da morte de um homem no metrô chegou à Scotland Yard, a primeira reação foi de surpresa com a rapidez com que um dos quatro procurados pela tentativa de ataque do dia anterior tinha sido encontrados. Surpresa acompanhada de "alívio", contou. Given disse ao jornal que, por volta das 16h30 do dia 22 de julho, ele se encontrou na delegacia de Lehman Street, no leste de Londres, com os dois policiais que, cerca de sete horas antes, tinham atirado e matado o brasileiro. "Não achei que fosse certo conversar com eles sobre o incidente, já que nossa conversa contaria como uma entrevista formal e poderia ser usada como prova", disse ao The Observer. "Eu só queria garantir que eles estavam recebendo tudo o que precisavam e que tinham entrado em contato com suas famílias. Não havia comemoração, mas o humor era leve, animado", contou. "Eles estavam convencidos de que tinham matado um terrorista", acrescentou. Alan Given disse ainda que voltou para casa no dia 22 de julho às 23h "com a sensação de que tinham matado um terrorista, alguém diretamente envolvido". Outros oficiais, ainda na ativa, também deram declarações ao jornal corroborando a mesma tese de que a inocência de Jean Charles só foi descoberta no dia seguinte. É a primeira vez que oficiais graduados envolvidos na operação que levou à morte do brasileiro falam abertamente a um veículo de imprensa sobre o que ocorreu. Eles alegam que Ian Blair, chefe da Polícia Metropolitana, está sendo alvo de uma campanha de caça às bruxas, vinda, em alguns casos, de dentro da polícia, de grupos que discordam de algumas de suas políticas e querem sua demissão. Entre outras coisas, a investigação do IPCC tenta descobrir quando exatamente Ian Blair soube que Jean Charles era inocente e se mentiu ao dar declarações como a do dia 22 de julho, por volta das 16h, quando disse que, pelo que sabia, o homem morto fora interpelado "e se recusou a obedecer instruções policiais". |
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