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Família de Jean Charles critica comissão brasileira | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um dos primos de Jean Charles de Menezes aproveitou o encontro que teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Londres para criticar os trabalhos da comissão que o governo brasileiro enviou para a Grã-Bretanha para acompanhar as investigações sobre a morte do eletricista. Numa reunião privada, de cerca de 20 minutos de duração, numa sala do aeroporto internacional de Heathrow, Alex Pereira disse a Lula que a viagem da comissão a Londres foi desperdício de dinheiro público. "A comissão esteve aqui em agosto. Tinha muitos erros e a comissão não viu nada. A comissão gasta muito dinheiro para vir para a Inglaterra e depois ir para a televisão e falar que está indo tudo no caminho certo, enquanto a gente tem de lutar contra muitos erros. E nós não temos tanta força para mostrar e corrigir esses erros", disse Pereira. No fim de agosto do ano passado, a comissão formada pelo diplomata brasileiro Manoel Gomes Pereira, o diretor do Ministério da Justiça, Márcio Garcia, e o subprocurador-geral da República e corregedor-geral do Ministério Público Federal, Wagner Gonçalves, afirmou que não tinha motivos para acreditar que a polícia britânica escondeu fatos relacionados à morte do eletricista Jean Charles de Menezes. As afirmações foram feitas logo após o vazamento de informações que revelavam que a primeira versão da polícia metropolitana sobre as circunstâncias da morte de Jean Charles na estação de metrô de Stockwell em julho estava errada. Diferentemente das primeiras afirmações feitas pela polícia, o eletricista brasileiro não usava roupas suspeitas nem correu dos policiais para dentro do trem. Quebra de barreiras "Nós já quebramos uma barreira, que é provar que o Jean era um trabalhador e não um terrorista, um vagabundo correndo da polícia", disse Pereira. O primo de Jean Charles diz que existem outras barreiras pela frente, como ver o relatório da comissão independente que investigou as circunstâncias da morte do eletricista. "Não seria bom vermos (o relatório) agora, mas queremos que isso venha a ser público e tudo que aconteça daqui para frente aconteça com transparência, para onde houver um erro a gente poder corrigir", afirmou. O primo de Jean Charles pediu a Lula para que a próxima equipe que seja enviada para a Grã-Bretanha para tratar do caso seja formada por pessoas capazes de "ver os erros e corrigi-los". "E eu pedi que ele não gastasse dinheiro brasileiro com um erro inglês. Os ingleses mataram o Jean, não foi o governo brasileiro, então o governo inglês tem que pagar pelos erros." De acordo com ele, Lula prometeu que, assim que a decisão do Ministério Público britânico for anunciada, a mesma comissão brasileira deve ir a Londres, mas com algumas mudanças, como a inclusão de um representante de Direitos Humanos. Chefe da polícia Pereira classificou a conversa com Lula de "muito, muito, muito produtiva" e acredita que os familiares vão contar com mais ajuda a partir de agora. "Eu conheço o tipo de pessoa que o presidente é e sei que, como presidente, ele pode fazer algo a respeito. E eu falei para ele que a polícia aqui nunca pagou pelos seus crimes e esta é uma grande barreira que ele vai ter de quebrar agora, fazê-los pagar. Muitos contribuíram para os erros e todos devem pagar por isso.” Por outro lado, Pereira disse que Lula não prometeu pressionar o governo britânico para que os culpados no caso sejam punidos, mas "ele prometeu dar a ajuda que nós precisamos, então acho que isso é suficiente para a gente fazer pressão". A prima de Jean Charles, Patrícia Armani, falou que "não é novidade" para ela o que foi divulgado nesta quinta-feira no jornal britânico The Guardian, de que, segundo "várias testemunhas", horas depois de Jean Charles ter sido baleado, altos oficiais da polícia já temiam que "o homem errado havia sido morto". O chefe da polícia metropolitana de Londres, Ian Blair, afirma que só soube que um inocente havia sido morto 24 horas depois do ocorrido. "Tudo isso eu já sabia desde o começo, quando o Jean morreu. Eu digo, com certeza, que desde o começo ele já sabia, porque a informação que eu tenho é que duas horas depois da morte ele já estava sabendo disso e tomando as providências dele, claro", disse Armani. "Ele deve ser punido. Talvez com a renúncia", acrescentou Pereira também disse que a família de Jean Charles não aceita o oferecimento de pesar do primeiro-ministro britânico Tony Blair, feito nesta quinta-feira após o encontro com Lula. "Para o presidente brasileiro, isso significa alguma coisa, mas para a família não significa nada. Nós não aceitamos da primeira vez e nós nunca vamos aceitar." Lula deixou a capital britânica no fim da tarde e poucas horas depois, Pereira também embarcaria do mesmo aeroporto rumo ao Brasil, para passar um mês e meio de férias em Minas Gerais. |
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