70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 09 de fevereiro, 2006 - 00h19 GMT (22h19 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Participação mostra desejo de mudança no Haiti, dizem analistas

Eleitores haitianos
Observadores internacionais estão surpresos com sucesso do pleito
Analistas haitianos entrevistados pela BBC Brasil vêem na grande participação nas eleições de terça-feira um sinal de que a população quer mudança depois de 20 anos de instabilidade política no pequeno país caribenho.

“Isso mostra o desejo popular de melhorar a situação política e econômica do país”, afirma o economista Claude Beauboeuf.

Embora dados oficiais ainda não tenham sido divulgados, uma representante do Conselho Eleitoral Provisório (CEP) estimou em 75% a 80% o índice de comparecimento as urnas.

Mesmo não sendo obrigados a votar, os haitianos enfrentaram longas filas, problemas de organização e tumulto para participar da escolha do futuro presidente e dos membros do novo Parlamento.

“Foi cansativo, o calor estava forte, mas quando você estava lá dentro, esquecia de tudo”, disse um eleitor que passou oito horas na fila para votar.

O estudante Ricardo La Guerre, de 20 anos, chegou antes das 6h, horário previsto para a abertura das seções eleitorais, para votar pela primeira vez na sua vida e se mostrou otimista sobre o futuro do país.

"Como você pode ver, temos muitos problemas no Haiti. Acho que tudo vai melhorar depois de hoje", disse La Guerre.

Assim como La Guerre, milhares de haitianos acordaram de madrugada e, em muitos casos, andaram quilômetros até o centro de votação.

Sinal

O analista Kisner Fharel também acha que os haitianos “mandaram um forte sinal de que querem que as coisas mudem”, mas questiona se a população não está esperando demais destas eleições.

“Algumas pessoas acham que tudo vai mudar de uma hora para a outra. Eu não acho que alguém possa ser o salvador deste país.”

Beauboeuf, por outro lado, acredita que os haitianos sabem que a sua vida não vai melhorar de outra hora para a outra, mas precisam de uma perspectiva de que isso vai acontecer.

“As pessoas querem uma garantia de que as coisas vão mudar no médio prazo, quatro a cinco anos”, disse o analista.

Anti-René Préval, ele diz achar paradoxal o favoritismo do candidato nas eleições. “Préval não vai mudar nada, ele representa o passado”, diz Beauboeuf.

Préval, que governou o país entre 1996 e 2001, ganhou forca na política com o apadrinhamento de Jean-Bertrand Aristide, o ex-presidente deposto na revolta popular de 2004 e atualmente exilado.

Embora tenha tentado se distanciar de Aristide na campanha, as suas ligações atuais com o ex-presidente não estão claras.

Para Pharel, no entanto, é o processo de transição democrática no Haiti passa pela mudança do comportamento “de ganhadores e perdedores”.

“Neste país, os vencedores sempre quiseram ter tudo e os perdedores sempre quiserem bloquear tudo. Isso tem que mudar”, disse Pharel.

O Haiti vem tentando fazer a transição para a democracia desde 1986, quando terminou a ditadura Duvalier, iniciada com François Duvalier, em 1957, e prosseguida com o seu filho, Jean-Claude Duvalier.

A primeira eleição de Aristide, em 1990, foi marcada por um clima de grande esperança, mas o presidente foi derrubado por um golpe militar em 1991, dando início a um novo ciclo de instabilidade na história do país.

HaitiEntenda melhor
Como funciona o sistema eleitoral no Haiti? Leia aqui.
Soldado brasileiro da ONU revista suspeitos em Cité Soleil, na capital haitianaHaiti
Ação em favela cria dilema para general brasileiro.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade