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Ação em favela no Haiti cria dilema para general brasileiro | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma favela com o nome de Cidade do Sol (Cité Soleil) é o grande pesadelo das tropas da ONU no Haiti. Em um emaranhado de casas e barracos onde vivem 250 mil pessoas, escondem-se líderes e membros das gangues mais atuantes de Porto Príncipe. É por lá que entra ilegalmente grande parte das armas e das drogas na capital haitiana e é lá que as cerca de dez pessoas seqüestradas diariamente são mantidas até que seus resgates sejam pagos. As tropas da ONU sabem disso, mas, como uma missão de paz, enfrentam o dilema de como reprimir as atividades criminosas em Cité Soleil sem matar civis, ou, no jargão militar, causar "efeitos colaterais". "Usar força militar com um exército ou com uma guerrilha é uma coisa, usar força militar em uma favela com 250 mil pessoas que vivem umas em cima das outras em condições de horrível miséria é outra", afirma o chefe da Minustah (Missão de Estabilização da ONU no Haiti, na sigla em francês), Juan Gabriel Valdes. "Vamos proceder no momento que considerarmos possível para libertar Porto Príncipe dos bandidos de Cité Soleil, como fizemos em Bel Air, com os bandidos de Cité Militaire e outros lugares desta cidade", acrescenta o diplomata chileno, referindo-se a outras áreas antes dominadas por gangues na capital haitiana. Intensificação O comandante das tropas da ONU, o general brasileiro José Elito Siqueira, também diz que em algum momento os capacetes azuis terão de intensificar as suas atividades em Cité Soleil, mas não diz quando nem como isso seria feito. "Nós temos a obrigação de tentar resolver (o problema) em Cité Soleil, como em qualquer outro lugar que possa estar dificultando (a pacificação do país)", diz o militar. Siqueira cita o exemplo de Bel Air, hoje tida como modelo de operações da ONU bem-sucedidas no Haiti. Cité Soleil, no entanto, não só é uma área maior e mais populosa do que Bel Air, como agora abriga gangues expulsas de outros bairros. O general brasileiro descarta comparações com Fallujah, a cidade iraquiana onde controversas ações de tropas americanas contra rebeldes deixaram centenas de civis mortos, segundo agências humanitárias. "Não é a mesma coisa. No Iraque, é uma força de ocupação, aqui é uma força de estabilização", diz Siqueira, argumentando que o trabalho dos capacetes azuis não é prender líderes de gangues, função que considera ser da polícia haitiana. "Polícia fraca" O próprio chefe da Minustah, no entanto, diz que a polícia haitiana é "fraca", embora enfatize que seja melhor do que em 2004. Juan Gabriel Valdes diz esperar que em quatro ou cinco anos o Haiti tenha uma força policial "profissional e decente", com cerca de 23 mil homens, em vez dos apenas 5 mil que tem hoje. Até lá, ele diz que os haitianos e a comunidade internacional terão de ter muita paciência. Segundo Valdes, a estabilização do Haiti é um trabalho de "décadas", que só será possível com o envolvimento das elites do país e a "persistência" da ONU e de outras agências internacionais. |
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