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Sucessor de Alan Greenspan defende metas de inflação | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A primeira tarefa de Ben Bernanke, que assume nesta quarta-feira o comando do Fed (o Banco Central dos Estados Unidos), será conquistar a confiança que investidores, empresários e políticos depositavam no seu antecessor, Alan Greenspan. Essa confiança, sobretudo a crença de que a inflação será mantida sob controle, é fundamental para a credibilidade do Fed. É essa credibilidade que tem mantido as taxas de juros americanas baixas e a economia crescendo, apesar de uma série de desafios econômicos. O plano de Bernanke é institucionalizar essa confiança, pela adoção de metas inflacionárias – como as adotadas pelo Banco Central no Brasil e na Grã-Bretanha, por exemplo. Greenspan se opunha ao mecanismo, por acreditar que os investidores não devem saber que peso os bancos centrais dão ao combate da inflação. Previsibilidade Defensores das metas inflacionárias argumentam que elas ajudaram a reduzir a expectativa de inflação nos mercados onde foram adotadas. Os agentes do mercado financeiro normalmente também aprovam o mecanismo, que torna as ações dos bancos centrais mais previsíveis. Mas também há alguma oposição à meta inflacionária no Congresso americano, onde críticos dizem que ela pode levar o Fed a se concentrar muito na inflação e esquecer o desemprego. É provável que Bernanke avance devagar nesse front, mas que divulgue informações sobre as previsões do Fed que antes ficavam secretas. O novo presidente chega ao Fed em um momento delicado da política de juros. O Fed elevou juros 13 vezes para 4,25%, e deve elevar mais uma vez para 4,5% nesta terça-feira. O objetivo dessa política é esfriar a economia dos Estados Unidos, que cresceu o equivalente a 4,1% ao ano no último trimestre, e evitar o risco da inflação.
Mas muitos analistas acreditam que essa política chegou ao fim e, com os juros nos Estados Unidos acima daqueles em muitas das grandes economias, novos aumentos poderiam prejudicar o crescimento econômico. No entanto, os Estados Unidos também estão em meio a um enorme boom nos preços de imóveis estimulado pelos juros baixos que vigoravam há pouco tempo. Até agora, os aumentos de juros tiveram efeito limitado sobre esse boom, pois as taxas de curto prazo do Fed não se refletiram em aumento nos juros dos empréstimos habitacionais, que se baseiam nas taxas de longo prazo. Ninguém tem certeza por que as taxas de longo prazo não reagiram – pode ser devido a baixas expectativas de inflação ou existência de excesso de capital do exterior –, mas isso certamente cria um dilema para o Fed. Bernanke, como Greenspan, acredita que é difícil para os bancos centrais intervir para impedir que surjam "bolhas de ativos", como os booms dos preços de imóveis. No entanto, isso não quer dizer que o Fed não está preocupado com o "efeito riqueza", quando as pessoas reforçam sua capacidade de consumir e seus níveis de endividamento porque vêem a valorização da casa própria ou fazem novos empréstimos com base nisso. Déficit comercial Bernanke também vai enfrentar uma situação incerta da economia internacional. O Fed tem a responsabilidade de administrar a moeda americana, junto com o Departamento do Tesouro dos EUA. Até agora, o aumento dos juros americanos ajudaram o dólar a se valorizar em relação às moedas européias e da Ásia. No entanto, existe uma sombra de longo prazo pairando sobre o dólar – o enorme déficit da balança comercial dos Estados Unidos que anda perto dos US$ 700 bilhões por ano. A manutenção do déficit leva a aumento do receio de uma corrida contra o dólar, o que levaria o Fed a intervir. Muitos economistas argumentam que somente a depreciação do dólar – ou a apreciação de outras moedas – podem ajudar no ajuste da economia americana a longo prazo. Esta é uma das razões pelas quais os Estados Unidos vêm pressionando tanto a China para aumente o valor de sua moeda – os chineses resistem a fazê-lo. O enorme déficit da balança comercial, com sua enxurrada de produtos baratos, tem ajudado a manter a inflação sob controle. Assim, o ajuste do déficit comercial poderia passar por uma redução nos gastos dos consumidores e aumento da pressão sobre os preços, o que dificultaria a vida do Fed. A longo prazo, o grande déficit orçamentário também reforça a pressão sobre o dólar e reduz as reservas acumuladas pelo país, obrigando o Tesouro a pedir dinheiro emprestado a outros países para bancar o déficit. O primeiro corte de impostos proposto pelo presidente Bush foi aprovado pelo Congresso graças ao apoio manifestado por Alan Greenspan. Muitos economistas manifestam agora a preocupação de que tornar esses cortes de impostos permanentes poderia aprofundar demais o déficit orçamentário. Bernanke deu sinais de que tentará se envolver menos na política orçamentária que Greenspan. Mas em algum momento, até este professor moderado, cujas afiliações partidárias eram desconhecidas até de seus colegas professores de economia, deve ser obrigado a se envolver no embate político. Nos anos 1980, os déficits orçamentários e na balança comercial deram origem a uma grande crise política, tanto nos Estados Unidos quanto no exterior. Agora, eles podem se tornar o principal foco tanto na agenda política quanto econômica, num momento em que se inicia o novo ciclo eleitoral americano. |
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