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Carne brasileira 'é subsidiada por trabalho escravo', diz jornal | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um estudo a ser publicado neste ano indica que a carne consumida pelos britânicos tem grandes chances de vir de fazendas brasileiras com trabalho escravo, de acordo com uma reportagem publicada nesta quinta-feira pelo jornal The Daily Telegraph. A reportagem, sob o título "Carne barata brasileira importada é 'subsidiada por trabalho escravo'" , não ouviu nenhum comentário de criadores ou exportadores brasileiros para comentar as acusações do estudo. Segundo o jornal, o estudo foi feito por David Ismail, um fazendeiro de Pertshire, na Escócia, com financiamento da organização de caridade Nuffield Foundation. Ele teria visitado o Brasil para analisar as condições sociais sob as quais são produzidas as crescentes exportações de carne do país, que, segundo o jornal, “estão prejudicando os preços mundiais”. Presos a árvores “Nas remotas áreas onde a floresta do Brasil está sendo cortada para dar lugar à criação de gado, ele encontrou condições entre os trabalhadores sem-teto e seus empregados ‘semelhantes às piores cenas do apartheid’”, diz a reportagem. Segundo o Daily Telegraph, o relatório de Ismail diz que “trabalhadores analfabetos, abrigados em barracões, são desprovidos de assistência médica e algumas vezes amarrados a árvores”. “Os trabalhadores, em sua maioria do empobrecido nordeste, são trazidos para derrubar a floresta na região central do Brasil com instrumentos precários e não são pagos, são ameaçados, brutalizados e algumas vezes alvos de tiros”, diz a reportagem. “Eles são atraídos por promessas de altos salários, apenas para descobrir que sua acomodação e sua alimentação superam os valores que são pagos.” O jornal diz que os trabalhadores são chamados no Brasil de escravos. “O grupo especial anti-escravismo do Ministério do Trabalho, estabelecido para localizar alguns dos últimos verdadeiros escravos do mundo, conseguiram libertar 11.946 desses indivíduos entre 2000 e 2004”, diz a reportagem. Ismail disse ao jornal ter concluído que “a escravidão está acontecendo, o desenvolvimento em área de floresta está acontecendo e há uma relação com a carne entrando na Grã-Bretanha”. Um conselheiro comercial da Embaixada Brasileira em Londres, Alberto Fonseca, disse ao jornal que é impossível garantir que a carne de áreas com floresta derrubada não estivesse chegando à Grã-Bretanha. Porém, segundo ele, a maior parte da carne exportada é de alta qualidade e vem do Estado de São Paulo, “onde a derrubada da floresta ocorreu nos séculos 17 e 18”. Previsão do tempo Um artigo publicado nesta quinta-feira pelo jornal americano The Wall Street Journal relata casos de previsões meteorológicas feitas no nordeste brasileiro por chamados “profetas da chuva”, que avaliam a possibilidade de chuva baseados em sinais da natureza. Entre os casos relatados estão pessoas que dizem se vai chover baseados na quantidade de cupins com asas ou na direção de um ninho de passarinho. Segundo a reportagem, os profetas da chuva são figuras altamente respeitadas no nordeste, “uma região rica em folclore, mas pobre em quase todo o resto, especialmente chuva”. De acordo com o jornal, “um estudo de 2002 da Universidade do Arizona revelou que os lavradores de subsistência da região têm mais confiança nas previsões desses profetas e em suas próprias observações de uma série de sinais folclóricos de chuva do que em previsões meteorológicas do governo”. “Karen Pennesi, doutoranda em antropologia da Universidade do Arizona, catalogou 930 diferentes indicadores de chuva, de sapos espiando fora de suas tocas a orelhas de burro suando”, diz o jornal. Segundo a reportagem, um grupo desses ‘profetas da chuva’ deve se reunir na próxima semana, “numa tradição de dez anos”, para fazer suas previsões que “serão acompanhadas de perto em uma região que abriga um terço da população do Brasil”. “A Fundação de Meteorologia e Recursos Hídricos, a agência oficial de previsões do Estado do Ceará, tem dificuldades em competir com profetas mais conhecidos pela atenção dos lavradores”, diz o jornal. “Os funcionários da fundação garantem que suas previsões climáticas amplas têm uma taxa de acerto de 70%. Mas muitos lavradores nunca perdoaram a fundação por seus erros, incluindo sua incapacidade em prever uma grave seca em 1993”. |
NOTÍCIAS RELACIONADAS Dívidas ameaçam maior maternidade pública de SP, relata jornal britânico27 dezembro, 2005 | BBC Report LINKS EXTERNOS A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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