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Kirchner ganha poder com a recuperação da Argentina, diz NYT | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A recuperação econômica da Argentina, após o colapso em 2001, vem acompanhada de um fortalecimento do poder do presidente Néstor Kirchner, cuja popularidade vem se mantendo alta, segundo reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal The New York Times. “Somente quatro anos atrás, a economia argentina estava prostrada e sua política estava caótica, após uma crise financeira que resultou em depósitos bancários congelados, a suspensão do pagamento da dívida de mais de US$ 100 bilhões e cinco presidentes assumindo o cargo em duas semanas”, diz a reportagem. “Mas na terça-feira, o país deve quitar sua dívida com o Fundo Monetário Internacional e simplesmente abandonar novas negociações com o grupo”, afirma o texto, assinado pelo correspondente Larry Rohter. A reportagem lembra que apesar disso a Argentina ainda deve “bilhões para credores privados”, mas diz que a quitação do débito com o FMI tem um efeito simbólico e “é um dos vários sinais recentes de que o presidente Néstor Kirchner parece estar concentrando mais poder em suas mãos e movendo seu governo para a esquerda”. “Desde a vitória nas eleições parlamentares em outubro, Kirchner também se movimentou para estabelecer uma aliança com o líder populista da Venezuela, Hugo Chávez, e, como um peronista tradicional, para aprofundar a influência do Estado na economia, no Judiciário e na mídia”, diz o jornal. Para o New York Times, muitos argentinos vêem o FMI como responsável pelas políticas que levaram à crise de 2001, tornando a quitação do débito uma medida popular. Este é um dos fatores, segundo a reportagem, que levam a popularidade de Kirchner a se manter acima dos 75% segundo as pesquisas, apesar de ele ter sido eleito em maio de 2003 com menos de um quarto dos votos. Além disso, como observa o diário, “a popularidade de Kirchner é basicamente o resultado de três anos consecutivos nos quais a economia cresceu a uma média de 9%”. Mas o texto vê o presidente aumentando sua interferência em vários setores. “Um pico inflacionário ameaça a economia agora, e Kirchner tem respondido ao estilo estatizante, tentando impor controles de preços sobre certos produtos essenciais”, diz o jornal. A reportagem avalia que o mesmo ocorre em outras áreas. “Reclamações sobre pressões oficiais sobre a mídia também estão crescendo”, diz o texto, que relata ainda um plano do presidente para cortar o número de juízes da Suprema Corte de 20 para 13, o que daria, segundo a oposição, um maior controle do governo sobre as indicações. Por fim, o jornal cita a política externa de aproximação com os países sul-americanos em detrimento das relações com os Estados Unidos, fortalecidas durante a presidência de Carlos Menem, e a recente reforma ministerial, com a indicação de ministros mais alinhados com o pensamento de Kirchner, como indicações desse fortalecimento do poder do presidente argentino. Wall Street Journal Em uma análise do mercado acionário nas Américas em 2005, o jornal econômico The Wall Street Journal diz nesta terça-feira que ganhos superiores a 10% pelo terceiro ano consecutivo na América Latina, liderados pela alta nas ações das companhias brasileiras e mexicanas, afastou os temores de que o período de crescimento na região pudesse estar chegando ao final. “O índice balanceado de ações regionais do Morgan Stanley, MSCI Latin America, aumentou 45% em dólar em 2005, superando o aumento de 39,4% no ano anterior”, diz o jornal. Segundo um analista do Citigroup ouvido pelo Wall Street Journal, a estabilidade econômica duramente conquistada pelas maiores economias latino-americanas provou-se uma proteção contra as projeções mais pessimistas. “A forte demanda de investidores americanos e internacionais, mais dispostos a enfrentar o risco na América Latina diante dos fracos retornos no mercado acionário americano, ajudou a impulsionar os ganhos”, diz o texto. “Os investidores americanos tiveram ainda um bônus extra com as moedas latino-americanas fortalecendo-se diante do dólar.” O analista do Citigroup afirma manter um “otimismo cauteloso” para 2006, prevendo um aumento de 8% a 12% em dólar para o índice MSCI Latin America. O texto faz ainda uma análise caso a caso para Brasil, México e Canadá, afirmando que “o índice de ações Bovespa cresceu 46% em dólar no ano passado, conforme os investidores fizeram vistas grossas ao crescente escândalo político que afastou alguns dos mais próximos assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”. Segundo o jornal, as ações que mais subiram em 2005 foram as dos bancos, com as do Bradesco dobrando de valor e as do Itaú subindo quase 55% em dólar. “Os lucros dos bancos saltaram, conforme salários mais altos e o desemprego em queda estimularam a demanda por empréstimos, mesmo com as taxas de juros se mantendo altas.” |
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