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Atualizado às: 02 de janeiro, 2006 - 10h01 GMT (08h01 Brasília)
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Lula enfrenta em 2006 'reeleição ou lento ostracismo'
Jornais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa 2006 com o dilema de “candidatar-se à reeleição ou iniciar um lento ostracismo”, na avaliação de uma reportagem publicada nesta segunda-feira pelo jornal chileno La Tercera.

O jornal afirma que apesar de Lula ter afirmado que a reeleição não é sua “paixão”, os dirigentes do Partido dos Trabalhadores indicam que o presidente deve buscar outro mandato até 2010 sem se importar com os escândalos de corrupção que atingiram no ano passado a agremiação.

Segundo o La Tercera, Lula já afirmou que só aceitaria a candidatura se for para vencer a eleição. Porém, como o jornal observa, as pesquisas indicam que hoje o presidente seria derrotado no primeiro e no segundo turnos pelo prefeito de São Paulo, José Serra.

“Além disso, segundo os cálculos baseados nas pesquisas, Lula teria perdido nos últimos meses cerca de 20 milhões dos 53 milhões de votos que recebeu ao chegar ao poder”, observa o jornal.

Apesar disso, um analista político da Universidade de Brasília ouvido pelo jornal considera que a possibilidade de Lula não concorrer à reeleição é menor do que 20%. O analista afirma ainda que Lula segue sendo um candidato competitivo e tem tempo suficiente para reverter os estragos no eleitorado indicados pelas pesquisas.

Outra condição para Lula chegar à eleição com chances de vitória seria um forte crescimento econômico que se refletisse nas condições de vida da população em geral, na avaliação feita ao La Tercera pelo jornalista brasileiro Clóvis Rossi, colunista da Folha de São Paulo.

El País

Os problemas da economia brasileira e suas conseqüências políticas para as perspectivas de reeleição de Lula também foram tema de uma grande reportagem publicada na edição de domingo do jornal espanhol El País.

Segundo o jornal, “a banca aplaude a política econômica do Brasil, mas o rechaço de amplas camadas da população pode lhe custar a reeleição”.

“Desde que chegou à presidência, em 1º de janeiro de 2003, o presidente Lula da Silva teve a preocupação de tranqüilizar os mercados financeiros, os organismos internacionais de crédito e os investidores em todo o mundo, diante das suspeitas com que foi recebido por sua militância sindical e de esquerda. Resultado: a política econômica que implantou no Brasil pode lhe custar a reeleição”, diz o jornal.

O jornal lembra que em dezembro o risco-país do Brasil, medido pelo banco JP Morgan, chegou ao seu mínimo histórico, poucos dias após a quitação da dívida do país com o Fundo Monetário Internacional e o anúncio da quitação da dívida com o Clube de Paris.

Apesar desses sinais positivos, a política econômica ortodoxa, “levada adiante com inflexibilidade, vem sendo alvo generalizado de críticas vindas de todos os lados e muito especialmente de membros do governo e de amplos setores do Partido dos Trabalhadores”, afirma o jornal.

A reportagem diz que dirigentes do PT avaliam agora que a manutenção e o aprofundamento da política econômica do governo anterior se transformou em uma armadilha.

“Os opositores de Lula argumentam que os bons resultados se devem a que se manteve a política econômica que eles implantaram quando estavam no governo, e acrescentam sem pestanejar que os excessos praticados na política monetária pelo governo Lula explicam por que a economia brasileira é a que menos cresce entre os chamados países emergentes”, diz o jornal.

Para o El País, a grande incógnita hoje é o que Lula fará em 2006, ano eleitoral, para tentar reverter o quadro e impulsionar sua candidatura à reeleição.

“Consciente das dificuldades cada vez mais visíveis que encontra sua decisão de candidatar-se à reeleição, Lula da Silva ordenou aos seus ministros que ‘gastem tudo o que possam, e no menor prazo possível’. Ao mesmo tempo que reitera, quase diariamente, que as eleições não o levarão a ‘cometer loucuras na economia’”, diz o jornal.

“Para o JP Morgan, o Brasil representa um risco cada vez menor. Para a reeleição de Lula, por outro lado, o que existe é um risco cada vez maior”, conclui a reportagem.

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