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Dívidas ameaçam maior maternidade pública de SP, relata jornal britânico | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O jornal britânico The Independent destaca em sua edição desta terça-feira uma reportagem sobre os problemas financeiros enfrentados pelo hospital filantrópico Amparo Maternal, na zona sul de São Paulo, maior maternidade pública da capital paulista. O jornal diz que o Amparo Maternal, “onde cerca de 40 bebês nascem a cada dia, ameaça fechar as portas se não conseguir levantar quase 2 milhões de libras (R$ 8,1 milhões) para quitar suas dívidas, que os credores não querem mais rolar”. A reportagem relata que o hospital é “único no Brasil com uma política de nunca recusar ninguém e a tábua de salvação para as mulheres mais pobres e vulneráveis, que freqüentemente não conseguem encontrar vagas nos hospitais lotados em um raio de centenas de milhas”. “Em um país onde milhões vivem com pouco mais de 1 libra por dia (R$ 4,05), para a maioria dos brasileiros os planos de saúde privados são inconcebíveis - muitas das mulheres aqui são jovens, solteiras, sem-teto ou moram em uma das muitas favelas da cidade”, diz o Independent. O Amparo Maternal foi fundado em 1939 por um grupo católico liderado pelo então arcebispo de São Paulo, preocupado com o crescente número de mulheres sem-teto grávidas. “Ele é financiado pela agência de saúde do governo e por doações”, diz a reportagem. O Independent relata ainda sobre a campanha de recuperação lançada neste mês, segundo a qual as camas do hospital poderão ser “adotadas” por doadores, ao custo de cerca de 10 mil libras anuais cada uma (cerca de R$ 40,5 mil). Evo Morales O líder cocaleiro Evo Morales, presidente eleito da Bolívia, não deve se tornar um novo Hugo Chávez, segundo um artigo de opinião publicado nesta terça-feira pelo jornal The New York Times, de autoria do cientista político peruano Álvaro Vargas Llosa, filho do escritor Mário Vargas Llosa. Para o cientista político, apesar de sua retórica esquerdista e sua proclamada admiração pelo presidente venezuelano e pelo líder cubano Fidel Castro, Morales terá problemas para conseguir cumprir uma agenda radical. “O novo presidente boliviano não terá os recursos que a Venezuela controla e sua base de apoio é mais instável”, diz o artigo. “Além disso, o Brasil tem uma presença importante na Bolívia e estará numa posição para exercer uma influência moderadora.” Para Álvaro Vargas Llosa, a Bolívia não tem condições financeiras de seguir a linha de Chávez, que foi ajudado pelo forte aumento nos preços internacionais do petróleo para financiar seus programas sociais. Além disso, a instabilidade política secou os investimentos estrangeiros, que foram de apenas US$ 84 milhões neste ano. O autor avalia ainda que a população indígena, que exige mudanças rápidas, pode também representar um desafio a Morales. “A Bolívia já teve antes governos esquerdistas que foram derrubados pelas mesmas pessoas que os tornaram possíveis”, diz. Finalmente, para ele, “o presidente pragmático do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, poderia também conter as ambições de Morales”. “O Brasil é hoje efetivamente o único investidor estrangeiro na Bolívia, e seu papel deve se tornar ainda mais crucial”, diz. Para ele, Lula “não tem conseguido controlar Chávez, mas terá muito mais influência sobre o muito mais vulnerável Morales”. Vargas Llosa conclui dizendo que uma aproximação ainda maior entre Morales e Chávez dependerá da política americana para a Bolívia no caso do líder boliviano cumprir sua promessa de descriminar as plantações de coca. Ele avalia que os Estados Unidos não devem “reagir de maneira exagerada”. “Se Washington responder à descriminalização da coca impedindo as exportações de roupas e jóias da Bolívia para os Estados Unidos, dezenas de milhares de famílias em El Alto, uma das poderosas bases indígenas de Morales, perderiam sua fonte de renda, e o sentimento anti-americano empurraria Morales mais à esquerda”, afirma. |
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