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Mundo Árabe teme incerteza com saída de Sharon | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O derrame do primeiro-ministro Ariel Sharon e o provável afastamento dele da política do Oriente Médio deixaram as lideranças de países árabes confusas e temerosas quanto ao futuro das relações de Israel com o resto da região, segundo avaliações da imprensa regional e de analistas. A figura de Ariel Sharon, até hoje ainda associado nos países árabes com eventos como o massacre de centenas de palestinos nos campos de refugiados de Sabra e Shatila nos anos 80, não tem nenhuma popularidade por aqui. Mas as conseqüências do brusco desaparecimento de um líder do calibre e da importância dele são tão imprevisíveis como temidas. O ex-secretário-geral da Liga Árabe, Ismail Abdul-Maguid, disse que a interrupção de algumas políticas adotadas por Ariel Sharon pode ser prejudicial para as negociações com os palestinos. "Ele tentou fazer alguns movimentos a favor da paz. A saída de Sharon vai interromper diversas políticas que tinham sido iniciadas por ele e criar um clima de incerteza", avaliou. O jornal libanês As-Safir, um dos poucos diários da região que teve tempo de incluir na edição desta quinta-feira notícias sobre o derrame do primeiro-ministro, disse na manchete que "Sharon está às portas da morte e Israel está à beira de um grande briga política". O jornal An-Nahar, também do Líbano, avaliou que a "ausência de Sharon vai levar a conflitos sobre a hierarquia do Kadima (o partido que o premiê fundou recentemente) e minar os esforços da agremiação para convencer os israelenses de que eles são um partido como todos os outros". Governos árabes Mas ao contrário dos governos Ocidentais (que emitiram declarações desejando pronta recuperação) e alguns grupos islâmicos (que comemoraram o derrame do premiê,) as lideranças das nações árabes mantiveram silêncio sobre o delicado assunto, com exceção da Autoridade Palestina (AP) O negociador-chefe da AP, Saeb Erekat, disse em uma entrevista à BBC que estava preocupado com as conseqüências da saída de Sharon do governo de Israel. "Estou muito preocupado com o risco de a competição para substituir Sharon seja acompanhada por um aumento da violência, seja na forma de assassinatos, de prisões ou da construção de assentamentos. Isso me preocupa muito", disse Erekat. Entre egípcios comuns, alheios às considerações políticas mais aprofundadas, os problemas de saúde de Ariel Sharon, se não chegam a ser comemorados, tampouco são vistos como trágicos. "Odeio Sharon. Não vai fazer nenhuma falta", disse um egípcio que estava ao meu lado no início da madrugada de quinta-feira, quando vimos na televisão a informação de que Sharon tinha ido para o hospital com um derrame. Um vendedor ambulante no Centro do Cairo me disse que acredita que Sharon vai ser punido por Deus pelos crimes que cometeu. A opinião, fácil de encontrar nas ruas de países árabes, tem eco em grupos islâmicos radicais como o Hamas. “A região toda vai estar melhor sem ele. Sharon foi por décadas o responsável por diversos atos de terrorismo e massacres contra nossa gente”, disse o grupo em um comunicado. |
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