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Atualizado às: 05 de janeiro, 2006 - 18h30 GMT (16h30 Brasília)
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Oriente Médio estaria melhor sem Sharon, diz Hamas
Candidato do Hamas Ismail Hanieh, em comício de campanha para eleições legislativas na Cidade de Gaza
O Hamas é o principal rival do Fatah nas eleições legislativas palestinas
O grupo radical islâmico Hamas reagiu à notícia do grave estado de saúde do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon dizendo que o mundo estava prestes a perder um de seus "piores líderes".

O Hamas disse ainda que "toda a região estaria melhor sem ele".

Foi a polêmica visita de Sharon, em 2000, ao complexo em que fica a mesquita de Al-Aqsa em Jerusalém Oriental, um lugar sagrado também para os judeus, que provocou o início da segunda Intifada, a revolta palestina contra Israel.

Grupos militantes como o Hamas e Jihad Islâmico foram duramente reprimidos durante os cinco anos de Intifada, e tiveram vários de seus líderes assassinados por forças israelenses.

Preocupação

Críticos dizem que Sharon sabia que a visita poderia dar início a um novo ciclo de violência e apostou que o eleitorado israelense fosse ver nele o líder "duro" o suficiente para lidar com a situação.

O Hamas disse que "Sharon foi responsável por massacres e terrorismo durante décadas contra nosso povo".

Já os líderes palestinos manifestaram preocupação com a eventual saída de Sharon do cenário político.

Oficiais palestinos dizem que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, entrou em contato com o gabinete de Sharon para expressar sua preocupação com o estado de saúde do líder israelense.

O principal negociador de paz dos palestinos, Saeb Erekat, disse que os mais prejudicados com a situação seriam os próprios palestinos.

"Temo que a competição pela sucessão de Sharon resulte num endurecimento contra os palestinos, numa escalada de prisões e novas incursões."

"Espero que o estado de saúde de Sharon também não seja um pretexto para não permitir que os palestinos votem em Jerusalém Oriental", disse Erekat, numa referência às eleições legislativas palestinas, marcadas para o dia 25 de janeiro.

Qurei

Israel ainda não decidiu se vai permitir que os palestinos residentes em Jerusalém Oriental votem, e que os candidatos palestinos possam fazer campanha eleitoral na região.

O primeiro-ministro palestino, Ahmed Qurei, disse que o povo palestino iria orar pela recuperação do líder israelense.

"Estamos sempre em busca de um líder israelense que seja a favor da paz e de negociações sérias com os palestinos", disse ele. "Não resta dúvida de que a situação vai ter implicações não apenas para Israel mas para toda a região".

O analista político palestino Ghazi al-Saadi, disse que Sharon era o "primeiro líder israelense a parar de afirmar que Israel tinha direito sobre todas as terras palestinas".

"Um Sharon vivo é melhor para os palestinos neste momento, apesar dos crimes que ele cometeu contra nós", disse ele à rede de TV árabe Al-Arabiya.

Hanan Ashrawi, parlamentar palestina, disse acreditar que a saída de Sharon do cenário político em Israel deve resultar num endurecimento contra os palestinos.

"Está claro que a política de Israel deve passar por um período de endurecimento político no contexto das eleições (israelenses), porque a retórica nas campanhas vai ser inflamada", disse ela.

Sharon criou um novo partido, o Kadima, há um mês, para concorrer às eleições gerais de 28 de março.

Ele continua internado em estado "estável, porém crítico", segundo seus médicos. Os médicos realizaram uma cirurgia de sete horas para conter uma hemorragia no cérebro.

O primeiro-ministro foi internado nesta quarta-feira em um hospital de Jerusalém após sofrer um derrame cerebral "substancial".

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