70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 02 de janeiro, 2006 - 23h01 GMT (21h01 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Oriente Médio: No meio do caos, há sinais de mudança

O dedo sujo de tinta: símbolo das eleições no Iraque
Eleições no Iraque e Egito foram um ponto alto de 2005 na região
Às vezes é difícil não ficar deprimido com a situação no Oriente Médio. Opressão, violência e atos de regimes despóticos parecem eclipsar todos os sinais de progresso.

Tudo isso continuou sendo realidade no Oriente Médio no ano que passou, e as velhas histórias não vão desaparecer em 2006, mas também estão acontecendo coisas que não podem ser ignoradas: há claros sinais de mudança.

Eles têm sua raiz, de uma forma ou outra, na invasão do Iraque pelos americanos em 2003.

Foi um ano de virada para o Oriente Médio, comparável a outros momentos marcantes na história da região: 1917, quando o Império Otomano se desintegrou e Grã-Bretanha e França deram à região seu formato atual; 1948, quando Israel se tornou independente e 1967, quando a guerra levou o conflito árabe-israelense ao estágio presente.

As conseqüências de 2003 ainda são sentidas hoje e devem repercutir por pelo menos mais uma geração.

Influência americana

Os Estados Unidos foram o país de maior influência no Oriente Médio nos últimos 50 anos.

Mas ao fazer guerra com o Iraque e depois ocupá-lo, o presidente George W. Bush criou para si próprio e para seu país uma conexão muito mais íntima com a região.

A administração Bush justifica os enormes custos humanos, econômicos e diplomáticos da guerra dizendo que está levando a democracia para os países que a merecem.

Graças aos americanos, houve eleições no Iraque em dezembro de 2006.

A votação não é uma fórmula mágica para melhorar as vidas das pessoas.

A violência não vai parar porque o povo iraquiano votou e a eletricidade não vai ficar disponível o dia inteiro.

Mas as eleições são o caminho para um sistema mais justo, então algo melhor pode estar nascendo.

Sob proteção americana, os políticos recém-eleitos no Iraque têm agora de mostrar que podem construir uma democracia.

Primeiro, eles têm de resolver a discussão sobre fraudes que teriam ocorrido nas eleições de dezembro; depois, têm de formar o novo governo.

Tudo isso pode demorar meses.

A violência vai continuar, e governos em todo o Oriente Médio temem que ela se alastre. Na Jordânia, ela já começou.

Democracia

Críticos – ou inimigos – de Washington ainda são facilmente encontráveis no Oriente Médio.

A ironia, no entanto, é que a intervenção americana na região, e a forma como os Estados Unidos estão impondo o modelo democrático no Oriente Médio, criam um espaço político que pode ser ocupado pelos descontentes.

O Egito é um bom exemplo. Também houve eleições no país em 2005.

Sua versão de democracia tem tantos problemas quanto a versão iraquiana.

Comparsas do partido do governo fecharam postos eleitorais em algumas regiões para impedir a oposição de votar.

Mas o Egito, o mais populoso país árabe, segue pela estrada da mudança, e é difícil, embora não impossível, voltar atrás.

Tudo isso não quer dizer que os sonhos do governo Bush para a região estejam se tornando realidade.

Pelo contrário, há indícios de que as mudanças estejam gerando seus próprios pesadelos.

No Egito, a irmandade muçulmana está fazendo um sucesso notável. Se uma democracia é possível no Egito, talvez ela seja muçulmana.

Os americanos estão descobrindo que o problema com a democracia é que ela pode produzir resultados de que você não gosta.

Assim são as coisas.

Tudo indica que as eleições no país tenham sido sectárias, ou seja, o país continua dividido entre xiitas e sunitas.

Aliados do Irã no movimento xiita iraquiano vão acabar no poder graças às eleições patrocinadas por Bush.

E não vamos esquecer que os Estados Unidos tambem fizeram ao Irã o favor de remover do poder seu maior inimigo na região: Saddam Hussein.

Em janeiro, o povo palestino deve participar das primeiras eleições parlamentares em 10 anos. Isso apesar de rumores persistentes de que elas serão canceladas.

Se as eleições forem adiante, uma nova geração de palestinos vai se aproximar do poder – incluindo membros do Hamas, o grupo muçulmano que vai ganhar votos porque acredita na luta contra Israel, porque não é visto como corrupto e porque sua rede de bem-estar social ajuda alguns dos palestinos mais pobres.

Ariel Sharon, o primeiro-ministro israelense, queria impedir membros do Hamas de se candidatarem. Os americanos lhe disseram para não interferir nas eleições.

Altas autoridades americanas deixaram claro, no entanto, que membros do Hamas no Parlamento não serão reconhecidos como representantes democráticos legítimos se apoiarem a violência.

Incerteza

A questão é se o Hamas, apoiado pelo povo, vai se incomodar com isso.

As energias diplomáticas e políticas de Washington no Oriente Médio estão tão concentradas no Iraque que não sobra muito para israelenses e palestinos.

Como resultado, o plano de Ariel Sharon para o futuro de Israel e do Estado Palestino deve obter a aprovação da Casa Branca – isto é, se Sharon se mantiver dentro dos limites do que há de mais próximo de um plano de paz existente hoje na região.

Isto, é claro, se Sharon fizer parte do próximo governo israelense depois das eleições em março – e se ele não tiver mais problemas de saúde.

A longo prazo, além de 2006, os planos de Sharon vão funcionar se ele for capaz de vendê-los também para os palestinos.

Qualquer solução que os palestinos interpretem como uma derrota não vai trazer a paz.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
Israel ataca prédio usado pelo Fatah em Gaza
02 de janeiro, 2006 | Notícias
ONU pede à Síria para questionar presidente
02 de janeiro, 2006 | Notícias
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade