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Atualizado às: 29 de dezembro, 2005 - 16h17 GMT (14h17 Brasília)
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Arábicas: Onde encontrar álcool no Oriente Médio

Bebida alcólica
Bebidas alcólicas são pouco consumidas em países muçulmanos
A noite nos países árabes costuma ser agitada, as pessoas gostam muito de passeios, festas, música e conversa sob a luz da lua. Mas quem vem de um país ocidental se dá conta rapidamente da falta de algo normalmente associado a toda essa movimentação noturna: o álcool.

O consumo de substâncias que afetam a consciência - especialmente o álcool - é considerado haram, um termo islâmico próximo da idéia de pecado. Não que seja muito difícil encontrar quem beba no Oriente Médio, mas em geral o consumo é discreto e está longe de fazer parte dos hábitos sociais mais comuns.

A venda e o consumo de bebidas alcólicas são permitidos aqui no Egito e na maioria dos países da região, mas são proibidos em diversas nações muçulmanas, como a Arábia Saudita e o Kuwait.

Na Arábia Saudita, nem os perfumes podem conter álcool. Como no Kuwait as perfumarias não estão submetidas a essas regras, quem não tem dinheiro para ir ao mercado negro comprar vodka ou vinho - como os mais abastados - pode apelar para um porre de cosméticos baratos.

Colônia pós-barba

Quando eu estava no Kuwait, um taxista imigrado do Sri Lanka me convidou para um trago de Coca-Cola misturada com colônia pós-barba Jackson, que por ter pouco perfume, mas altíssimo teor alcoólico, é tida como ideal para essa função.

No Cairo, as cafeterias espalhadas pelas ruas da cidade ficam cheias de egípcios (mas não egípcias) até altas horas da madrugada conversando, jogando gamão, tomando chás, sucos e café e fumando shishas, aquele cachimbo com água que em outros países árabes recebe o nome de narguile.

Mas quem quiser tomar uma cervejinha tem de ir para um dos bares, danceterias ou restaurantes freqüentados por estrangeiros e por egípcios (e, nesse caso, também egípcias) de classes mais altas. Ou então encomendar pelo telefone umas garrafas de Stella - a cerveja local -que é entregue em casa.

Alguns egípcios de baixa renda também encaram uma antiga e fortíssima bebida artesanal chamada buza.

Trata-se de uma líqüido marrom e ralo feito a partir de pão fermentado e servido em algumas saletas ocultas - as mesmas onde ele é produzido em grande tonéia de madeira - nos becos do Cairo.

O cheiro azedo da fermentação domina o ambiente e dá uma prévia do sabor ainda mais azedo da bebida. Não consegui passar de um gole, apesar da insistência dos egípcios empolgados em mostrar o drinque local para um estrangeiro.

Natal

Neste Natal fui a uma festa aqui onde também havia um grupo de jovens estudantes palestinos - todos com cerca de 20 anos de idade - que moram no Cairo para cursar engenharia ou medicina na universidade.

Todos eram da Faixa de Gaza, onde festas com bebidas, mulheres e estrangeiros são coisa rara.

Alguns dos estudantes decidiram experimentar álcool pela primeira vez. Dois deles desmaiaram e tiveram convulsões depois de terem dividido apenas meia garrafa de um tinto libanês - não muito bom, mas longe de venenoso, como o dos garrafões de vinho doce enxugados impunemente por universitários brasileiros.

Um dos estudantes que não bebeu olhava desconsolado para os amigos, para a garrafa de vinho, para mim e repetia: "É a primeira vez que eles bebem. Espero que seja a última".

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