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Eleições devem revelar força islâmica no Egito | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As eleições parlamentares que começam nesta quarta-feira aqui no Egito - e ainda têm outras duas rodadas de votação até o fim do mês - são mais politicamente significativas do que a disputa presidencial. Na prática, ninguém espera mudanças profundas no curto prazo: o Partido Nacional Democrático (PND, do governo) deve manter uma maioria clara - mesmo que possivelmente um pouco reduzida - na Assembléia Nacional. A votação, no entanto, vai ser importante para deixar mais clara qual é a atual correlação de forças no Egito e quais as tendências de longo prazo no país. A maior expectativa é em torno dos candidatos islâmicos - principalmente aqueles ligados à Irmandade Islâmica - que se esforçam para comprovar nestas eleições a percepção generalizada de que os grupos religiosos são a única oposição de peso no Egito. Há pouco mais de dois meses, Hosni Mubarak foi reeleito, para um quinto mandato, com 88% dos votos, numa disputa presidencial que deixou claro que não há na política partidária egípcia ninguém em condições de enfrentar o presidente diretamente. Mas o crescimento dos islâmicos confirmaria a suspeita - que assusta muita gente tanto por aqui, quanto no Ocidente - que o apelo político dos grupos religiosos cresceu nos últimos anos, apesar dos grandes esforços do governo egípcio para mantê-los contidos. Independentes Desde a imposição das leis de emergência no Egito em 1981, depois do assassinato de Anwar el-Sadat, a Irmandade Islâmica está proibida de atuar como partido político. A estratégia do grupo - que já lhe rendeu assentos no Parlamento em eleições anteriores - é participar com candidatos que nominalmente se apresentam como independentes. A força da Irmandade Islâmica já foi bastante reduzida pelo governo Mubarak nas últimas duas décadas, com a prisão de vários líderes presos e a limitação dos movimentos do grupo, que existe numa precária situação de clandestinidade tolerada. Mas nestas eleições os candidatos ligados islâmicos estão pegando carona na abertura política iniciada pelo presidente Mubarak e dispõem de uma inédita liberdade para fazerem campanha e o slogan "Islam é a solução" parece estar atraindo um número significativo de eleitores. Desertores Mas entre os muitos indedendentes que entraram nas eleições não há só islâmicos. Outro grupo importante é o de grandes empresários, diversos deles desertores do PND, que preferiram se desligar do governo e tentar capitalizar a crescente insatisfação popular com os problemas econômicos. Se eleitos, estes candidatos não devem causar grandes problemas para o governo, que nos últimos anos vem adotando uma postura liberal que agrada os empresários. Mas Mubarak também não vai poder contar com a fidelidade dos deputados que não estiverem filiados ao seu partido e, portanto, formalmente fora da base do governo. Governo O PND também está jogando suas cartas com campanha intensa na mídia e muitas promessas de empregos e desenvolvimento econômico. O filho do presidente Hosni Mubarak, Gamal Mubarak, é uma das figuras do partido do governo - do qual é presidente do Comitê Político - que mais aparecem na campanha. Todos os analistas concordam que Gamal Mubarak é um potencial candidato para substituir o pai num futuro não muito distante - possivelmente as próximas eleições presidenciais, em seis anos - mas existe o temor de que a aparência de "presidência hereditária" incomode muita gente no país. Mas observadores notam claramente que Gamal Mubarak vem cada vez mais se esforçando para se definir como uma personalidade política independente do pai. Ele já é considerado um dos principais líderes da "ala reformista" do partido do governo. Partidos de Oposição Os partidos de oposição mais tradicionais do Egito também estão apresentando candidatos, mas têm perspectivas bem modestas. Três dos principais partidos - o marxista Tajamoa, o liberal Neo-Wafd e os Nasseristas - se uniram ao grupo suprapartidário de oposição Kyfaia (Basta, em árabe) para lançar candidatos em uma "Frente Nacional para a Mudança". O partido Al-Ghad - de Ayman Nour, o candidato que veio num distante segundo lugar nas eleições presidenciais - é a outra agremiação que tem algum peso nestas eleições. Além deles, uma dezena de pequenos partidos também deve lançar candidatos. Como no Egito a política é muito personalista, é possível que alguns dos candidatos acabe entrando no Parlamento, embora estes partidos estejam longe de terem qualquer peso efetivo na política nacional. Definições As eleições vão ocorrer em três etapas durante todo o mês de novembro. Nesta quarta-feira, votam os eleitores do Cairo e de outras sete províncias, para eleger 164 dos 444 representantes da Assembléia Nacional. O resultado não deve ter grandes impactos imediatos na condução do Egito, mas pode dar uma boa indicação de como e em que ritmo devem acontecer as mudanças políticas que começaram nos últimos meses no país. |
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