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Arábicas: Osama Bin Laden ao alcance de todos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Desde os ataque de 11 de Setembro de 2001, pouca gente no mundo pode ignorarar quem é Osama Bin Laden. Quase todo mundo também sabe que de tempos em tempos ele solta suas mensagem por meio de fitas de vídeo, da Internet, de entrevistas ou de cartas. Mas pouca gente no mundo, e no Ocidente em especial, sabe o que ele diz, a não ser pelos poucos trechos que acabam traduzidos e divulgados pela mídia. E até agora era muito difícil conseguir um quadro mais completo das idéias de Bin Laden, por vários motivos: além de não ser fácil conseguir os textos, eles são quase todos em árabe, um idioma falado por poucos ocidentais. Para dificultar, Bin Laden costuma escrever no árabe clássico – como o encontrado no Corão – que é difícil mesmo para quem tem bom domínio do idioma. Mas recentemente foi lançado nos Estados Unidos o livro Messages to the World, The Statements of Osama Bin Laden (Mensagens para o Mundo, as Declarações de Osama Bin Laden), no qual o professor de religião da Universidade Duke, Bernard Lewis, coletou e coordenou a tradução para o inglês de 24 mensagens do militante islâmico. Guerra O livro deixa claro que Osama Bin Laden está em guerra contra o Ocidente em geral e contra judeus e cristãos em particular. Ele não refuta as acusações de que pratica "terrorismo", mas argumenta que isso é apenas uma resposta a atitudes semelhantes praticadas pelos Estados Unidos nos países muçulmanos. "Com o fim da Guerra Fria, os Estados Unidos ampliaram sua campanha contra os muçulmanos, tendo como objetivo a destruição do Islã. (...) Graças a Deus, a campanha americana (de acusar os islâmicos de ser terroristas) não foi bem sucedida, porque aterrorizar os ocupantes americanos é uma obrigação lógica e religiosa", disse em uma entrevista concedidada a uma revista publicada por militantes islâmicos na Austrália, em novembro de 1996. Naquele momento, Bin Laden estava particularmente irritado com a presença de militares americanos – esses a que ele se refere como "ocupantes" – na Arábia Saudita, uma decisão tomada às vésperas da primeira guerra do Golfo pelo governo saudita, com a aprovação das principais lideranças religiosas do país. Ilusão "Quanto às acusações deles de que nós aterrorizamos os inocentes, as crianças e as mulheres, trata-se apenas da tática de acusar outro dos próprios crimes, como uma maneira de iludir as massas", diz o milionário saudita. "Todas as evidências mostram que são os Estados Unidos e Israel que matam os homens mais fracos, mulheres e crianças, não só nos países muçulmanos, mas em todos os lugares", completa. E em uma entrevista posterior – concedida à rede de TV árabe Al Jazeera em agosto de 1998 –, diz que não acha que ninguém nos Estados Unidos pode ser considerado inocente. "Todos os americanos são nosso inimigos, não importa se eles estão lutando diretamente (soldados) ou se estão apenas pagando imposto. (...) Essas são as pessoas que dão seus votos quando inocentes são mortos em guerras e cujo líder comete adultério (uma referência ao caso Clinton-Lewinsky) e vê sua popularidade subir", afirma. Racionalidade Mas a leitura dos textos mostra que considerar Bin Laden louco e irracional não passa de uma análise superficial, pouco consistente e potencialmente perigosa. O saudita de fato advoga aberta e orgulhosamente a violência, mas sustenta tudo o que diz com longas argumentações político-religiosas e cita com propriedade uma quantidade de fontes suficiente para longas discussões teológicas. Obviamente as conclusões não são necessariamente corretas ou mesmo honestas, mas é muito útil entender qual a linha de pensamento e de onde vem a base das idéias de uma figura tão destacada neste início de século. "É desnecessário enfatizar que as opiniões contidas nestas declarações não refletem de maneira alguma as opiniões pessoais do tradutor ou de qualquer pessoa que participou (da edição do livro). A intenção deste livro é dar uma compreensão mais profunda do islamismo político e não apoiar as idéias de Bin Laden", fez questão de escrever na introdução da obra o tradutor James Howarth. Literatura Uma outra impressão fica clara para quem lê os textos de Bin Laden, mesmo na tradução em inglês: ele escreve muito bem e tem uma retórica das mais eficientes. Os textos de Bin Laden se alimentam na tradição da literatura clássica e algumas das mensagens chegaram a ser classificadas por Bernard Lewis –um dos mais renomados arabistas do Ocidente – peças "magníficas de prosa árabe eloqüente e, muitas vezes, poética". Assim Bin Laden descreveu como espera a própria morte: "Então deixem-se ser um mártir, vivendo nas alturas de uma montanha, em meio a um grupo de guerreiros que, por devoção a Deus, vão descer as encostas para enfrentar um exército." Messages to the World - The Statements of Osama Bin Laden, editado por Bruce Lwarence (Editora Verso, NY) | NOTÍCIAS RELACIONADAS Arábicas: Refugiados sudaneses fazem greve de fome no Cairo16 novembro, 2005 | BBC Report Eleições devem revelar força islâmica no Egito09 novembro, 2005 | BBC Report Arábicas: Violência afasta turistas israelenses do Sinai03 novembro, 2005 | BBC Report Arábicas: Palestino luta para conseguir fazer mestrado12 outubro, 2005 | BBC Report Arábicas: Ramadã altera rotina no mundo islâmico06 outubro, 2005 | BBC Report LINKS EXTERNOS A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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