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Arábicas: Eleição confirma crescimento islâmico no Egito | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os egípcios votaram na quarta-feira - em meio a cenas de violência e diversas acusações de intimidação - na terceira e última fase das eleições parlamentares, que já vêm acontecendo há um mês. O principal destaque da disputa foi o desempenho da Irmandade Islâmica, que superou em muito as expectivas - que já eram bastante otimistas - sobre seu crescimento. Para praticamente todos os observadores da política egípcia, a tendência confirma que a oposição islâmica é a única que tem algum peso para enfrentar o governo do presidente Hosni Mubarak, recentemente eleito com 88% dos votos para o quinto mandato de seis anos. Mas, se por um lado o crescimento dos islâmicos assusta o governo, por outro ele também fortalece a posição do presidente Hosni Mubarak, visto por muitos - mesmo entre seus críticos - como a única alternativa aos religiosos, que provocam tantos receios no Ocidente e em grandes setores seculares dos países muçulmanos. Apesar do fortalecimento da Irmandade Islâmica, os partidos da oposição secular tradicional - quase todos unidos em uma inédita frente contra o governo - tiveram um desempenho desatroso e terão no próximo Parlamento menos assentos do que dispõem agora. O golpe no Partido Nacional Democratico (PND, do governo) também foi forte, mas parece certo que ele vai conseguir manter - embora com uma folga menor do que no passado - os dois terços do Parlamento que garentem a aprovação até de mudanças constitucionais. Números A Irmandade Islâmica está proibida de formar um partido político, mas seus candidatos - que concorreram como independentes unificados sob o slogan “o Islam é a solução” - ganharam 76 dos 444 assentos da Assembléia Nacional nas primeiras duas fases da disputa. Para a terceira e última fase, os islâmicos apresentaram mais 49 candidatos, e analistas acreditam que o grupo pode chegar a 100 cadeiras no Parlamento. O PND e independentes aliados ao governo já garantiram 215 assentos - quase a metade do total - nas duas primeiras fases das eleições e ninguém dúvida de que eles vão atingir os 296 necessárias para garantir os dois terços. Ainda assim, o ótimo desempenho da Irmandade Islâmica levou o governo a atitudes mais agressivas para tentar conter o impulso dos militantes islâmicos.
O grupo diz que quase 1,3 mil militantes foram presos nas últimas semanas. O governo admite que deteve pelo menos 500. Ao final da quarta-feira, seis pessoas haviam sido mortas pelas forças policiais em confrontos ligados à disputa eleitoral. Acusações de que integrantes do partido do governo estariam impedindo eleitores da oposição de chegar às urnas também se multiplicaram depois dos primeiros sucessos da Irmandade. Seculares Os partidos da oposição tradicional e independentes haviam conseguido até a terceira fase da votação apenas 11 assentos no Parlamento. Os opositores se reuniram na Frente Nacional pela Mudança, numa inédita aliança que incluiu o Partido Nasserista, o marxista Tajamoa, o liberal Wafd e o grupo apartidário Kifaya (Basta). Mas a união não foi suficiente para conquistar eleitores em grandes números. O partido Al-Ghad - de Ayman Nur, o candidato que ficou num distante segundo lugar nas eleições presidenciais deste ano - ficou fora da coligação e só conseguiu ganhar um assento. A carreira política do próprio Nur está em uma grave crise: ele enfrentou uma rebelião em seu partido, perdeu seu lugar no Parlamento nas eleições e agora está preso sob acusações de fraude. Mudanças Observadores concordam que o Egito está passando por um processo de abertura política, embora ainda haja em muitos dúvidas sobre a profundidade e a permanência do fenômeno. As eleições estão sendo cobertas pela mída local - em grande parte ainda controlada pelo Estado - de maneira razoavelmente aberta. Gente que já acompanhou outras eleições no Egito confirma que críticas ao governo e notícias sobre os oposicionistas estão bem mais presentes do que no passado. O presidente sabe que a força dos islâmicos está crescendo e que este é um tema do qual vai ter que se ocupar. Mas as relações entre Hosni Mubarak e a Irmandade Islâmica sempre foram e devem continuar muito tensas e complexas. A grande votação nestas eleições deve reforçar as demandas da Irmandade pelo direito de se organizar formalmente com um partido e de publicar um jornal, como fazem todos os grupos legais de oposição no Egito. A atuação da Irmandade é limitada desde que leis de emergência foram impostas no Egito em 1981, depois do assassinato do presidente Anwar el-Sadat. O grupo foi acusado de envolvimento no crime. Mais abertura pode provocar novas perdas políticas para o governo Mubarak em eleições futuras. Mas um endurecimento claro do governo pode fazer com que ele perca o apoio aberto de importantes aliados - dentro e fora do país - que compatilham do medo do crescimento dos grupos islâmicos. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Arábicas: Refugiados sudaneses fazem greve de fome no Cairo16 novembro, 2005 | BBC Report Eleições devem revelar força islâmica no Egito09 novembro, 2005 | BBC Report Arábicas: Violência afasta turistas israelenses do Sinai03 novembro, 2005 | BBC Report Arábicas: Palestino luta para conseguir fazer mestrado12 outubro, 2005 | BBC Report Arábicas: Ramadã altera rotina no mundo islâmico06 outubro, 2005 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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