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Atualizado às: 27 de dezembro, 2005 - 19h38 GMT (17h38 Brasília)
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Triunfos populistas na América Latina desafiam EUA

Evo Morales, presidente eleito da Bolívia
Governo americano deve monitorar política de Morales para a coca
Como no Oriente Médio, em particular no Iraque, existe um compromisso pró-democracia do governo Bush na América Latina. E como 2005, o ano de 2006 deverá apresentar novos desafios quando os resultados são distantes ou prejudiciais aos interesses americanos.

A região está em meio a uma maratona eleitoral, que no próximo ano terá marcos cruciais com as votações no México e no Brasil. Em 2005, um ponto-chave desta jornada foi a Bolívia, com o triunfo acima das expectativas de Evo Morales, um esquerdista do gênero que deixa o governo Bush desolado.

Existem algumas previsíveis reações de alarme nos Estados Unidos com a ascensão de Morales. Uma direita mais estridente não cansa de advertir que se consolida um "eixo do mal" tropical diante da proximidade do presidente eleito da Bolívia com o venezuelano Hugo Chávez e o cubano Fidel Castro. Mas a postura oficial em Washington é mais reservada.

Haverá um monitoramento intenso de Morales na questão da coca (ele nunca escondeu ser contra a erradicação das plantações que sustentam setores sociais que o apóiam) e dos recursos energéticos.

"Pesadelo"

Peter DeShazo, especialista latino-americano do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos, em Washington, e ex-funcionário do Departamento de Estado, diz que, apesar da retórica similar a de Chávez, é provável que Morales não siga a mesma política da Venezuela, em parte devido aos freios que serão colocados pelo Brasil e também pela necessidade de investimentos estrangeiros na indústria energética.

Morales gosta de se autodefinir como o "pesadelo" de Washington e isso se tornará realidade se os americanos se assustarem e assim empurrarem o líder populista ainda mais para a esquerda.

Os recados dos principais jornais do establishment americano são para o governo Bush não isolar La Paz ou cortar a ajuda econômica, justamente para impedir essa guinada mais radical de Morales e o acirramento da polarização ideológica na América Latina.

Como no caso do Oriente Médio, existem setores em Washington que simplesmente desejam reforçar a militarização da diplomacia americana no hemisfério. São setores representados pelo secretário-assistente de Defesa Roger Pardo-Maurer.

Uma guinada mais para a esquerda com a eleição de López Obrador, em julho, no México, poderá tornar mais estridente o coro de advertências.

Em termos práticos, porém, analistas como Julia Sweig não acreditam que os americanos possam fazer muito para conter tendências contrárias aos seus interesses na ausência do mesmo tipo de influência exercida nos tempos da Guerra Fria.

E apesar da relativa negligência do governo Bush em questões latino-americanas, Cuba - essa relíquia da Guerra Fria - nunca escapa ao radar.

Uma comissão interministerial foi reconvocada pela secretária de Estado, Condoleezza Rice, para revisar a política de Washington em relação à ilha comunista.

Um relatório deverá ser apresentado em maio próximo com as recomendações para "acelerar a democracia e assistir os cubanos em uma fase de transição". Como sempre, nunca se sabe se os rumores sobre o fim de Fidel Castro são prematuros ou não.

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