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Atualizado às: 19 de dezembro, 2005 - 18h03 GMT (16h03 Brasília)
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Cresce resistência à presidência imperial de Bush

George W. Bush
Bush enfrenta desafios como se fossem problemas de relações públicas
Invasão do Iraque, invasão de privacidade. Para o governo Bush, são dois tipos de intervenção que se inserem no mesmo processo que exige uma vigorosa campanha contra o que ele considera ameaças à segurança nacional.

Mas é um vigor que enfrenta uma crescente resistência do Congresso, dos tribunais, da opinião pública e da imprensa, que após os atentados do 11 de setembro conferiram um cheque patriótico praticamente em branco e crédito generoso para o Poder Executivo agir em uma situação de emergência.

Como de hábito, o presidente Bush enfrenta estes desafios à sua autoridade e ao seu desempenho em parte como se fossem problemas de relações públicas.

As soluções para cada problema são um pouco diferentes.

No caso do Iraque, o tom presidencial é menos triunfalista, com Bush aceitando a existência de obstáculos no meio do caminho. Ele mantém as certezas sobre o curso da missão, mas pede mais paciência dos americanos.

Impaciente

Esta postura ficou novamente evidente no discurso à nação que o presidente fez domingo à noite.

No caso do debate sobre os programas de espionagem doméstica em nome da chamada guerra contra o terror, Bush se mostra mais impaciente, até irritadiço, como ficou patente no pronunciamento por rádio que ele fez no sábado, com as objeções colocadas às operações do Executivo.

Na sua última entrevista coletiva este ano, na manhã desta segunda-feira, o presidente fez uma defesa igualmente vigorosa da espionagem clandestina, repetindo que ela é legal e essencial à segurança nacional.

Mas também existe impaciência do lado dos resistentes.

Basta ver as reações de influentes parlamentares – inclusive da maioria republicana – e de editoriais dos principais jornais.

Para o Los Angeles Times, foi um dos mais "notórios casos de extensão governamental além da conta desde os ataques do 11 de setembro".

Congressistas agora prometem inquéritos para saber se o governo violou leis federais ao aprovar espionagem doméstica sem mandado judicial.

Bush e seus principais assessores insistem que o monitoramento eletrônico é legal e necessário.

Pedra

O senador republicano John McCcain, uma pedra cada vez mais dolorosa no sapato de Bush, disse estar intrigado na medida em que o Executivo não recorreu, como poderia ter feito, a um tribunal especial para conseguir cobertura legal para o monitoramento das comunicações por telefone, fax e e-mail de 500 cidadãos americanos ou residentes no país desde 2002.

No geral há um clima de desconforto no Congresso com as ações do Executivo.

As revelações sobre escuta clandestina, inicialmente publicadas no New York Times, contribuíram para que um punhado de senadores republicanos se juntassem aos democratas para bloquear a reautorização do Ato Patriótico, a legislação aprovada após o 11 de Setembro que expandiu os poderes presidenciais em nome da segurança nacional.

Antes, a Casa Branca fora forçada a engolir a emenda antitortura arquitetada por John McCain.

Tanto críticos como defensores do governo concordam que o programa de escuta clandestina é mais um exemplo da disposição da Casa Branca de usar os poderes presidenciais ao extremo.

Outro caso flagrante foi na detenção de cidadãos americanos, suspeitos de terrorismo, sem acusação formal.

Bush insiste que uma interpretação agressiva dos poderes presidenciais para proteger o país é essencial, mas os tribunais agora estão impondo alguns limites.

Inestimável

Na verdade, o pano de fundo para este vigor do Executivo vai além do 11 de setembro.

Com a ajuda inestimável do vice-presidente Dick Cheney, Bush aproveitou toda oportunidade para concentrar o poder na Casa Branca.

Mas os ataques terroristas foram uma chance de ouro para realmente restaurar a presidência imperial para as glórias pré-escândalo Watergate.

As guerras no Afeganistão e Iraque foram declaradas e empreendidas com pouca fiscalização do Legislativo.

Com o Ato Patriótico, o braço de segurança nacional do Executivo ficou mais longo e Cheney sempre lutou para impedir que documentos da Casa Branca fossem sequer submetidos à inspeção de outros setores governamentais.

A existência em si de inimigos hoje não basta para os outros poderes se comportarem docilmente.

Portanto, são estas resistências crescentes à presidência imperial. O sistema de contrapesos funciona na democracia americana.

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