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China é passiva na Rodada de Doha, dizem analistas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Desde sua entrada na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, a China tem representado um papel cada vez mais ativo nas vendas globais, mas, nas negociações da Rodada Doha, a voz chinesa é praticamente omissa. A avaliação é feita por alguns especialistas ouvidos pela BBC Brasil, como Bob Broadfoot, diretor da Economic and Political Risk Consultancy, em Hong Kong. "A China é passiva nessas negociações, especialmente quando se tratam dos grandes assuntos. O país está em uma posição em que pode deixar outras pessoas negociarem por ela", diz Broadfoot. "A China realmente quer forçar a barra agora ou é melhor deixar que outros países, que têm os argumentos, fiquem à frente do debate?", questiona Broadfoot. Para ele, a China não quer ser vista como um negociador agressivo, porque "sabe que vai ser levada à OMC por inúmeros casos de seus produtos manufaturados, por exemplo, os têxteis". O governo brasileiro negocia atualmente com a China um acordo para restrição voluntária nas exportações chinesas para o Brasil, como já fizeram Estados Unidos e União Européia. 'Invisível' Raymond So, professor de Economia da Universidade Chinesa de Hong Kong, diz que Pequim é "quase invisível" nas atuais negociações para liberalização do comércio mundial. "A China não quer chamar a atenção de outros países para o baixo custo de sua competitividade e o grande crescimento das suas exportações", observa. De acordo com o governo chinês, a corrente comercial do país com o resto do mundo saltou de US$ 509,8 bilhões, em 2001, para US$ 1,15 trilhão, em 2004. Exportações e importações somavam, respectivamente, US$ 266,2 bilhões e US$ 243,6 bilhões, em 2001. Três anos mais tarde, aumentaram para US$ 593,4 bilhões e US$ 561, 4 bilhões. O intercâmbio comercial com o Brasil, que em 2001 era de US$ 573 milhões, já somava US$ 1,2 bilhão nas estatíticas parciais para 2005 do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. G20 A China é membro do G20, grupo de exportadores agrícolas cuja liderança tem ficado mais nas mãos do Brasil e da Índia. Clodoaldo Hugueney, embaixador do Brasil da OMC, em Genebra, diz que o país "tem sido ativo" dentro das negociações do grupo. "A China tem uma preocupação em criar uma condição especial para os países de ascensão recente, tentando reduzir as concessões adicionais que os países têm que fazer no contexto dessa rodada", afirma. A voz mais passiva nas negociações gerais, no entanto, se revela pela própria ausência de Bo Xilai, ministro do Comércio da China, nas várias reuniões que foram realizadas em Genebra, nos últimos dois meses, na qual participaram os ministros do Brasil, Índia, Estados Unidos e União Européia. Hugueney observa que os chineses fizeram "concessões significativas" desde que entraram na OMC, o que seria um dos motivos para o papel secundário nas discussões para maior liberalização do comércio mundial. "A China reduziu significativamnte suas barreiras tarifárias", destaca o embaixador brasileiro. "A média tarifária da China hoje é razoavelmente baixa, em torno de 8%, enquanto a média dos países em desenvolvimento para produtos industriais, incluindo o Brasil, é de 30%." |
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