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Para EUA, Bolívia é teste do populismo na América Latina | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Houve um tempo em que presidentes americanos perdiam o sono (e o espírito democrático) com a eleição de um dirigente de esquerda no Chile. Dava em pesadelo e golpe de Estado, como na era de Salvador Allende. Hoje a vitória de alguém como a socialista Michelle Bachelet, que saiu na frente no primeiro turno das eleições chilenas de domingo passado, é plenamente tolerável por Washington. Seria obtuso para alguém da Casa Branca ou do Departamento de Estado perder o sono com mais uma vitória de uma esquerda pragmática que aceita a necessidade de amarras fiscais (embora consciente da urgência de mais gastos sociais) e mantém relações maduras com os Estados Unidos. Se vencer no segundo turno em janeiro, Bachelet dará continuidade à política de Ricardo Lagos, um dos dirigentes latino-americanos mais bem entrosados com George W. Bush, embora sejam de planetas ideológicos distintos. Já em relação às eleições bolivianas do próximo domingo, o sono em Washington é menos tranqüilo. Na maratona eleitoral latino-americana, iniciada em 27 de novembro em Honduras e que terá escalas cruciais em países como México e Brasil no ano que vem, a Bolívia é considerada pelo governo Bush como um teste dramático para empurrar a América Latina para a vala populista. Com a eventual vitória do líder dos cocaleros Evo Morales, que nas pesquisas tem uma pequena vantagem sobre o conservador Jorge Quiroga, a Bolívia passaria a ser rotulada em Washington como um narcoestado financiado pelos petrodólares da Venezuela. O governo de Caracas e também o regime comunista de Cuba negam qualquer ajuda a Morales, mas para setores neoconservadores no Pentágono, representados pelo secretário-assistente Roger Pardo-Maurer, o líder oposicionista boliviano tem boas chances de se tornar integrante de um "eixo do mal" latino-americano que inclui Fidel Castro e Hugo Chávez. Advertências Morales, é claro, gosta de ser visto com alarme em Washington. Com sarcasmo, ele agradeceu em 2002 ao ex-embaixador americano em La Paz, Manuel Rocha, por suas declarações advertindo que a ajuda de Washington ao país seria prejudicada se o Movimento ao Socialismo (MAS), de Morales, ganhasse as eleições parlamentares. Rocha, de fato impulsionou a votação do MAS. A preferência de Washington agora é por advertências protocolares caso Morales vença, mas não bombásticas. Um exemplo é a declaração de Charles Shapiro, do Departamento de Estado: "A natureza e o alcance de nossa cooperação com o próximo governo boliviano irá depender de nossos interesses comuns: fortalecimento da democracia, promoção do desenvolvimento econômico e combate aos narcóticos ilegais". A resposta de Morales são discursos exaltados contra basicamente tudo o que representa o "consenso de Washington" (políticas macro-econômicas ortodoxas, privatização, desregulamentação e livre comércio). A marca registrada de Morales é o combate à erradicação da coca pelo Exército, numa campanha bancada pelos americanos. Como resumiu o New York Times nesta semana, está aí um líder esquerdista com uma "visão radical que provoca desolação" no governo Bush. Morales é próximo de Hugo Chávez e não tem pruridos para dizer que considera a Cuba de Fidel Castro um modelo. Para Michael Shifter, que monitora eleições na América Latina para o grupo independente Inter-American Dialogue, mais do que a retórica de Evo Morales o governo Bush deveria se preocupar com o que ele representa: "a expressão de frustração e de ressentimento" com reformas de mercado que não trouxeram melhoria das condições sociais na região. | NOTÍCIAS RELACIONADAS EUA questionam eleição na Venezuela06 de dezembro, 2005 | Notícias Bolívia adia eleições gerais29 de outubro, 2005 | Notícias Bolívia aumenta impostos para petrolíferas 28 de junho, 2005 | Notícias Eduardo Rodríguez: de juiz a presidente da Bolívia11 de junho, 2005 | Notícias Entenda a crise na Bolívia07 de junho, 2005 | Notícias Presidente da Bolívia apresenta renúncia07 de junho, 2005 | Notícias | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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