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Espanha vê risco de tendência populista na América Latina | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo espanhol acredita que o populismo é um perigo para a democracia latino-americana e por isso está atento às próximas eleições previstas na região. Em um café da manhã desta quinta-feira com jornalistas, empresários e embaixadores, o ministro das Relações Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, disse que o momento é de procurar estabilidade. "É urgente que haja uma verdadeira consolidação democrática já, seja na Venezuela, na Bolívia, Equador ou em qualquer outro país que passe nesse momento por processos eleitorais", disse Moratinos. "O problema está nas condições econômicas, sociais e políticas que levam a tendências populistas que podem desestabilizar a região." Venezuela Moratinos destacou o caso da Venezuela, que terá eleições em dezembro, e depois de ouvir pedidos da oposição local para que a Espanha intervenha ante Hugo Chávez, o ministro disse que a questão não é o presidente venezuelano, mas a situação política da região. "O problema não é o presidente Chávez ou a atitude de qualquer outro dirigente na América Latina", disse ele. "O problema é que tinhamos assistido no final do século 20 a um maior processo de democratização na América hispânica, com grande participação dos chamados partidos tradicionais, mas havia vários setores da população que ficaram de fora." "Então nesse momento o mais urgente é consolidar a democracia, para que integre a todos", completou. Moratinos confirmou que a Espanha liderará um grupo de observadores da União Européia para confirmar a legalidade do processo eleitoral da Venezuela. "Os partidos da oposição venezuelana não tinham muito claro como organizar-se e o primeiro-ministro (José Luis Rodriguez) Zapatero disse que eles têm que procurar mecanismos legais e democráticos." "O presidente Chávez nesse mandato foi eleito democraticamente e agora vamos (acompanhar o processo) para comprovar que as próximas eleições aconteçam com clareza e sob critérios rigososos", disse Moratinos. Disputa Além do envolvimento na campanha eleitoral, a Espanha agora está em meio a uma disputa entre Venezuela e Estados Unidos, por causa da venda de aviões militares do país europeu para o sul-americano. O acordo irritou o governo americano e, na quarta-feira, o embaixador dos Estados Unidos em Madri, Eduardo Aguirre, ameaçou impedir a venda porque a tecnologia dos aviões é norte-americana. "Não aconselhamos essa operação porque poderia desestabilizar a região e, claro, podemos usar o veto", disse Aguirre. Nesta quinta-feira, o embaixador venezuelano Arévalo Mendes Romero respondeu: "Não precisamos da permissão dos Estados Unidos porque os componentes tecnológicos americanos podem ser substituídos pelos europeus. O acordo está fechado." O ministro Moratinos tentou ser diplomático, alegando que a questão não é de Estado e que cada um pode ter suas razões, mas em todo caso o "contrato de 1,7 bilhões de euros (cerca de R$ 5 bi) é importante para a economia espanhola" e "no século 21, por mais poderoso que seja um país, ele não pode ditar os destinos do mundo". Quanto às possibilidades reais de veto, Moratinos disse que é preciso consultar as empresas que assinaram o acordo. "Os Estados Unidos poderão vetar, acho eu, a venda de algum tipo de característica ou de material, mas não sei se isso impediria a realização da operação." Outra polêmica em relação aos Estados Unidos será esclarecida nesta quinta-feira tarde. O ministro dará explicações ao Parlamento sobre uma denúncia da imprensa espanhola de que aviões de alta espionagem da CIA fizeram várias escalas nas úlltimas semanas no aeroporto de Palma de Mallorca. |
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