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Chávez não quer boas relações, diz secretário dos EUA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo dos Estados Unidos gostaria de ter uma relação melhor com o presidente da Venezuela, mas é Hugo Chávez que "não tem muito interesse", afirmou em entrevista à BBC, o secretário americano de Estado para Assuntos do Continente, Thomas Shannon. "É importante lembrar que, para começar, temos relações diplomáticas e comerciais com a Venezuela, há uma relação energética muito importante. A única questão é se o presidente Chávez quer ter uma relação com os Estados Unidos e até agora ele não demonstrou muito interesse", afirmou. Quanto à crise diplomática entre Chávez e o presidente mexicano, Vicente Fox, gerada por diferenças de opinião quanto à criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), Shannon disse se tratar de uma questão bilateral. Mas afirmou também que "quando o México se pronuncia a favor da Alca, o país não está sozinho", pois representaria a opinião da maioria dos países americanos. Shannon reconheceu que a Alca não pode ser "imposta", pois compreende negociações entre países livres e democráticos. Cúpula das Américas Para o secretário americano, a Cúpula das Américas, que ocorreu em outubro em Mar del Plata, na Argentina, e onde teve início a briga entre Chávez e Fox, não deixou o continente americano dividido. "Dos 34 países que participaram, 33 concordaram que o comércio é um motor do crescimento econômico", disse. Shannon acrescentou que a crise entre México e Venezuela reflete o isolamento de Chávez dentro da própria cúpula, porque, "33 dos países saíram em acordo a respeito do comércio e da importância da Alca como um objetivo para a região". "Houve falta de acordo a respeito da rapidez com que se pode chegar a concluir a Alca. Para os países do Mercosul vale a pena seguir com o processo da Alca apenas quando, dentro da Rodada de Doha, haja uma solução para o problema dos subsídios agrícolas", afirmou. O secretário americano de Estado para Assuntos do Continente reafirma a importância da Alca apesar de os Estados Unidos já terem acordos bilaterais com várias regiões da América Latina. "Temos uma agenda de livre comércio com duas vertentes. Um caminho é a Alca, que é um objetivo muito importante para nós e outros países da região. E seria muito importante alcançar este objetivo." "Mas, enquanto isso, estamos trabalhando na Organização Mundial de Comércio. O que podemos fazer é começar a trabalhar com a segunda vertente, para negociar e concluir acordos de livre comércio bilaterais e regionais", acrescentou. Esquerda Thomas Shannon afirma que os Estados Unidos não se preocupam com o impacto que uma eventual guinada maior para a esquerda na região pode ter nas negociações sobre livre comércio. "O importante para nós é que estes líderes tenham um compromisso com a democracia e que estejam dispostos, participando de cúpulas, a manter abertas as discussões e a reconhecer uma agenda comum que, na nossa opinião, é muito importante para a América Latina", disse. "O interessante no processo das reuniões de cúpula e das negociações de livre comércio é que são negociações entre países e povos livres. É impossível impor um modelo econômico dentro de um continente democrático", afirmou Shannon. |
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