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Atualizado às: 20 de novembro, 2005 - 18h50 GMT (16h50 Brasília)
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Trinta anos depois, Franco ainda divide a Espanha

O general Francisco Franco, morto em 1975
Franco inspira grupos que se dizem contra negros, gays e imigrantes
A celebração dos 30 anos da morte do ditador espanhol Francisco Franco, neste domingo, reabriu velhas cicatrizes. E demonstrou que na atual Espanha socialista do primeiro-ministro José Luis Rodriguez Zapatero, com a lei do casamento gay e a retirada das tropas do Iraque, ainda permanece a divisão entre vencedores e vencidos pela ditadura.

Milhares de neofascistas foram às ruas de Madri, ameaçaram governantes e jornalistas e pediram a volta do militarismo.

A principal manifestação foi na basílica do Vale dos Caídos, onde o ditador está enterrado. Cerca de seis mil pessoas lotaram a igreja e houve gente que não conseguiu entrar.

Ali se ouviram palavrões contra o primeiro-ministro Zapatero, contra a imprensa, que ficou afastada, protegida pela polícia. Os aplausos foram para a viúva de Franco, Carmem, e para o militar Antonio Tejero, que liderou uma tentativa de golpe contra o Estado em 1981, quando entrou no Parlamento atirando.

Organização política

O neofascismo espanhol está tentando organizar-se como partido político, já que não consegue representação parlamentar desde 1983. São saudosistas e jovens com filosofias agressivas.

"Contra os negros, maricas (gays), esquerdosos (de ideologia de esquerda) e imigrantes. Vamos limpar a Espanha desse lixo", gritava um grupo no Vale dos Caídos, terceiro monumento mais visitado do país: 400 mil pessoas a cada ano.

A maior parte da imprensa esteve afastada pelas constantes ameaças dos manifestantes, que negam a história dos crimes cometidos nos 40 anos de ditadura franquista e culpam os jornalistas pelo que eles consideram mentiras contra Franco.

Uma das inspirações para tentar chegar ao eleitorado é o partido francês Frente Popular, de Jean-Marie Le Pen. Aqui, o grupo chama-se Espanha 2000 e tem como lemas principais 'orgulho de ser espanhol' e 'populista, social e democrático'. O grupo tem sede em Valencia e capta adeptos através da internet.

O site da associação, denunciado por organizações humanitárias, incita menores a fazer campanhas racistas nas escolas – orientando os adolescentes a não contar aos pais – e oferecem nomes, telefones, emails e endereços de pessoas que consideram inimigos da Espanha.

Para o 30º aniversário da morte de Franco chegaram a Madri ônibus de 14 províncias, para uma programação de eventos que incluía duas missas, um almoço chamado de irmandade fascista e duas cerimônias de colocação de flores no túmulo de Franco.

Livros

Além dos atos do dia, a morte do ditador tem sido lembrada pela literatura. Só em novembro foram lançados dez livros (30 durante o ano) com biografias de Franco e detalhes sobre o regime e a guerra civil.

Três dessas novas edições estão nas listas dos mais vendidos e têm perfis bem diferentes entre si. Na de Pio Moa 'Franco, um balanço da história', o autor diz que "Franco foi um dos personagens mais odiados do século 20 e também dos mais queridos por seus seguidores" e "deixou como legado a democracia".

Já o escritor Andrés Rueda em ' Venho salvar a Espanha' optou por um retrato psicológico do ditador: "complexado, obcecado pelo poder, inseguro, oportunista e intelectualmente medíocre".

O outro best-seller, 'O inferno que fomos nós', de Bartolomé Bennesses trata de acertar as contas históricas, resgatando os crimes do regime em relação às vítimas. "Chegou a hora de abrir as portas da memória".

Este também é o ponto de vista das organizações de esquerda. A associação Recuperação da Memória Histórica pede respeito às vítimas e sustenta que o fascismo não voltará a ter força na Espanha, apesar das recentes manifestações de simpatizantes.

"São exaltados, mas os tempos são outros e estamos aqui para impedi-lo. O momento é de recuperar a memória e a dignidade", disse a porta-voz da associação Coordenadora Antifascista, Maria Pacheco, na manifestação republicana que também lembrou os 30 anos da morte de Franco, mas do outro lado da cidade.

Os manifestantes republicanos depositaram coroas de flores recordando as vítimas do ditador, que incluíram dois membros do grupo separatista basco ETA. E pediram ajuda oficial para reabrir as milhares de fossas coletivas onde foram enterrados os assassinados pelo franquismo, que 30 anos depois continuam desaparecidos.

Entre esses mortos está o avô do primeiro-ministro Zapatero – um militar que recusou-se a aceitar o regime ditatorial e foi fuzilado.

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