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Analistas vêem reunião de Chávez e Kirchner como desafio a Bush e Fox | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A visita do presidente argentino, Nestor Kirchner, ao colega venezuelano, Hugo Chávez, na cidade de Puerto Ordaz, na Venezuela, foi interpretada, por diferentes analistas, como uma "mensagem desafiadora" aos presidentes dos Estados Unidos, George W. Bush, e do México, Vicente Fox. Nos últimos dias, Chávez chamou Bush de "assassino, genocida e louco" e Fox de "cachorro do império", segundo reprodução da imprensa. "A mensagem de Chávez, ao estar ao lado de Kirchner, é a de que não está sozinho na região e nessa queda de braço", disse o analista venezuelano Luis Vicente León, do instituto de opinião Datánalisis, falando pelo telefone, de Caracas. "Parece que a relação energética do governo Kirchner com a Venezuela ganha mais importância do que o vínculo com o Brasil. Ao mesmo tempo, Kirchner se afasta, abertamente, dos Estados Unidos", completa o analista argentino Rosendo Fraga, do Centro de Estudos União para a Nova Maioria. Mercosul O encontro entre Kirchner e Chávez incluiu assinaturas de acordos bilaterais, como o envio de petróleo à Argentina, o acordo para a construção de um gasoduto entre os dois países e a compra de novos títulos da dívida pública argentina. E ocorre poucos dias antes da reunião dos presidentes do Mercosul, em Montevidéu, no Uruguai, no dia 9 de dezembro. A expectativa é de que, na capital uruguaia, seja confirmado o início do "longo caminho", como disse o vice-chanceler argentino Jorge Taiana, para que a Venezuela entre para o bloco. E com o mesmo status que hoje possuem seus sócios originais, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Ou seja, membro permanente. Mas a entrada da Venezuela para o Mercosul, que foi anunciada pelo próprio Chávez, soma ou diminui? “Não sei se soma ou substrai, mas com certeza dará uma sacudida no bloco que anda estagnado”, diz a cientista política uruguaia Constanza Moreira, da Universidade de la República. “A Venezuela é hoje um monstro econômico, com uma capacidade brutal. Mas a entrada do país para o Mercosul, com Chávez na presidência, obrigará os presidentes Lula e Kirchner a terem ainda mais jogo de cintura, na intermediação com Washington”, destaca Luis Vicente León. Para o analista, o discurso de Chávez em relação ao governo americano não é só crítico, mas “selvagem”. País de 26 milhões de habitantes, a Venezuela é o quinto país exportador de petróleo no mundo e dono, segundo o governo, das maiores reservas petroleiras do planeta, mas importador de quase tudo que consome – de alimentos a produtos industriais. Com a economia em expansão de cerca de 9% neste ano (equivalente ao mesmo índice do ano passado) e perspectivas otimistas para 2006 e 2007, a tendência, reconhecem diferentes economistas, é que o país aumente suas importações. E, nesse caso, dos países do Mercosul. “Esse é um governo decidido a investir nos países amigos”, afirma Vicente León, principal analista do país caribenho. Com essa decisão e a meta de se transformar no “líder mundial da esquerda”, como reconhecem assessores do próprio presidente venezuelano, Chávez investe os chamados “petrodólares” na Argentina, com nova compra de bônus (já tinha comprado US$ 950 milhões) e o plano de construção de um gasoduto entre os dois países. No Uruguai e Paraguai (além de países da América Central), ele vende petróleo a preços mais baixos que os do mercado mundial. Ao entrar para o Mercosul, o país presidido por Chávez ainda deverá descolar-se da Comunidade Andina, onde o país mais forte é a Colômbia, presidida por Álvaro Uribe, mais simpático às medidas do governo americano. “Chávez sabe que o Mercosul lhe é conveniente. O bloco reúne países como Brasil e a Argentina, os maiores da América do Sul, e governos de esquerda, mas com discursos menos radicalizados que o dele”, disse Vicente León. A aproximação da Venezuela com os países do bloco intensificou-se durante a 4ª Cúpula das Américas, em Mar del Plata, no início de novembro. Ali, os membros do Mercosul e a Venezuela foram os únicos dos 34 países do hemisfério (à exceção de Cuba, que não integra o grupo) a discordar da proposta de criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) tal como está. Ou seja, sem o fim dos subsídios agrícolas, como informou, na ocasião, o ministro das Relaçoes Exteriores do Brasil, Celso Amorim. Assim, os cinco países pretendem chegar unidos à reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Hong Kong, dia 18 de dezembro. Mas até lá, os presidentes Lula e Kirchner reúnem-se, no próximo dia 30, em Porto Iguaçu, na Argentina, para comemorar os 20 anos do Mercosul – freqüentemente acusado de paralisação, como escreveu, entre outros, Daniel Muchnick, do jornal Clarín, para quem o bloco está em “terapia intensiva”. Por isso, a analista uruguaia Constanza Moreira entende que a chegada da Venezuela “dará vida” a esta integração, mesmo que exigindo “maior jogo de cintura política” dos seus integrantes diante do discurso de Chávez contra os Estados Unidos. “Na prática, com a provável maior compra de bônus argentinos por parte da Venezuela, a Argentina pretende se independizar da sua relação com o FMI, (Fundo Monetário Internacional)”, afirma Rosendo Fraga. Ou seja, continuar pagando o Fundo em dia, mas graças aos recursos da Venezuela. Por isso, diz o venezuelano Vicente León, a viagem de Kirchner a Caracas é por acordos econômicos, mas, ligada, umbilicalmente, aos passos políticos - da Venezuela e, provavelmente, da Argentina. A dúvida é saber como, na prática, essa equação será resolvida já que, como escreveu Muchnik, Paraguai e Uruguai, sócios do Mercosul, vêm ensaiando maior aproximação com os Estados Unidos. Um quebra-cabeças, entendem diferentes analistas, que dependerá, principalmente, de Lula e Kirchner. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Kirchner vai a Venezuela discutir dívida e gasoduto21 de novembro, 2005 | Notícias Chávez volta a atacar planos para a Alca20 de novembro, 2005 | Notícias Venezuela oferece óleo barato aos pobres dos EUA18 de novembro, 2005 | Notícias Venezuela e México anunciam retirada de embaixadores em meio a crise14 de novembro, 2005 | Notícias México exige pedido de desculpas da Venezuela14 de novembro, 2005 | Notícias Chávez chama Fox de 'cachorro' e gera polêmica no México11 de novembro, 2005 | Notícias Fox: México quer entrar para o Mercosul05 novembro, 2005 | BBC Report Mercosul fica isolado em debate sobre a Alca03 novembro, 2005 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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