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Atualizado às: 11 de novembro, 2005 - 17h37 GMT (15h37 Brasília)
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Entenda rumos da Al-Qaeda após ataques em Amã
Al-Zarqawi
Al-Zarqawi é líder da Al-Qaeda do Iraque
As explosões em três hotéis na capital da Jordânia, Amã, foram atribuídas ao líder foragido da Al-Qaeda no Iraque, Abu Musab Al-Zarqawi, e indicam mudanças na direção da organização.

É o que explica o especialista em defesa da BBC Frank Gardner, que respondeu as perguntas abaixo sobre a Al-Qaeda iraquiana:

Os atentados em Amã mostram que a Al-Qaeda do Iraque tem agora capacidade de atacar em mais de uma frente?

O ataque malsucedido com dois foguetes a dois navios de guerra americanos atracados no porto de Aqaba, na Jordânia, em agosto de 2005, já foi atribuído à rede de Zarqawi. Os ataques em Amã no dia 9 de novembro são quase certamente obra da mesma rede.

Há indicações de que alguns militantes do jihad árabe que lutaram no Iraque começam a partir para outros países. Recentemente houve um tiroteio em Dammam, na Arábia Saudita em que se acredita que os jihadis encurralados em uma casa tinham lutado no Iraque.

É certo que Zarqawi e seus seguidores gostariam de expandir a sua rede e é quase certo que existe um canal internacional por onde passam combatentes que vão para o Iraque, não só do Oriente Médio, mas da Europa também. Existe o receio de que, em algum momento, esse canal pode ser usado na direção oposta.

Zarqawi já mostrou que pode levar gente para a Jordânia. Ele é jordaniano, onde foi julgado à revelia. É perigoso para ele ir para a Jordânia, mas obviamente tem boas conexões lá.

Ele conseguiu montar uma rede que parece ser bastante independente da estrutura original da Al-Qaeda no Afeganistão.

De que forma a rede de Zarqawi é diferente da Al-Qaeda do Afeganistão?

A Al-Qaeda anterior aos ataque de 11 de setembro de 2001 estava relativamente ancorada geograficamente nos campos do Afeganistão. A rede se tornou bastante difusa desde então. Zarqawi construiu uma rede de contatos que é independente daqueles que Osama Bin Laden, Ayman Al-Zawahri e o resto da liderança da Al-Qaeda tinham no Afeganistão.

Uma carta recente defendendo a redução dos ataques foi atribuída a Zawahri. O ataque em Amã é prova de que Zarqawi está se tornando independente?

Zarqawi já age de forma independente há muito tempo. Ele usa o nome da Al-Qaeda e supostamente jurou fidelidade a Osama Bin Laden, mas, na prática, é agora o principal nome da Al-Qaeda no cenário internacional. Ele é quem está arregaçando as mangas e, aos olhos dos jihadis, é o herói que está confrontando os invasores no Iraque.

Seus seguidores tendem a fazer vistas grossas para o fato de que a maior parte das explosões atribuídas a seu grupo mata em sua maioria iraquianos e muçulmanos. Elas matam muito mais muçulmanos do que ocidentais e isso pode ser algo que está preocupando Zawahri e o que resta da liderança da Al-Qaeda no Paquistão e no Afeganistão.

Os estrategistas como Zawahri se dão conta de que não serão capazes de conquistar a maioria da opinião pública árabe se tantos muçulmanos morrem em ataques do movimento de Zarqawi.

Qual a influência que a velha guarda da Al-Qaeda ainda exerce?

É prematuro descartar a liderança da Al-Qaeda que se esconde no Paquistão e no Afeganistão. Suas idéias ainda estão muito vivas e há indicações – como a divulgação de uma fita reivindicando as bombas em Londres – de que eles ainda estão ativos em operações em todo mundo.

Mas de uma certa forma o trabalho deles já está feito. O que eles queriam era acordar as pessoas para a necessidade de confrontar o que vêem como agressão do Ocidente. E eles têm tido sucesso em recrutar gente para a sua causa.

No entanto, acho que as bombas recentes vão causar muitos danos a eles. Assim como nas explosões no complexo de Al-Muhayya em Riad, na Arábia Saudita, em novembro de 2003, a maioria das vítimas é de árabes e muçulmanos e isso não é bom para a opinião pública.

Quais os sinais de uma reação contra a rede de Zarqawi? Isso afetará a sua capacidade de operação?

Nunca será possível erradicar os militantes radicais que acreditam que aqueles que não aderem à visão estreita deles do Islã não é um bom muçulmano ou, pior, é um infiel. No entanto, ações como a explosão do casamento em Amã tendem a abalar o apoio que a Al Qaeda possa ter tido na sociedade.

Uma medida disso pode ser vista nas centenas de pessoas que protestaram contra Zarqawi na frente de um hotel na Jordânia. Mas medir isso na prática é muito difícil, como por exemplo, no aumento no número de pessoas que informam sobre os militantes à polícia. Isso aconteceu muito na Arábia Saudita, onde a opinião pública se voltou contra a Al-Qaeda, porque muitos sauditas foram mortos em suas ações.

Os ataques na Jordânia podem ser vistos de outro ângulo que não a relação próxima de Amã com Washington?

Os ataques em Amã têm muitos aspectos. Os ataques são parcialmente para punir a Jordânia por concordar com a invasão do Iraque. Os responsáveis atingiram o que deveria ser uma retaguarda segura para o Iraque para mostrar a empreiteiros ocidentais e planejadores da coalizão que eles não podem continuar com suas operações no Iraque e usar a Jordânia como base.

Também existe o fator Israel. A Jordânia é um dos dois únicos países árabes (o outro é o Egito) a ter relações diplomáticas totais com Israel. O rei Abdullah da Jordânia está programando uma visita a Israel em breve. Essa relação diplomática é muito impopular entre muitas pessoas, não apenas na Al-Qaeda, mas muitos jordanianos e palestinos comuns e outros árabes.

E, é claro, ter uma embaixada israelense em Amã significa que autoridades israelenses usam aqueles hotéis. Essa é outra razão pela qual os hotéis foram atingidos.

Como as táticas da Al-Qaeda evoluíram no Iraque?

A maior mudança nos últimos dois anos foi que a Al-Qaeda deixou de mirar os americanos como alvo e passou a mirar iraquianos integrantes do governo e outros árabes que são vistos como parceiros da coalizão.

É muito mais difícil atingir os americanos. O que os insurgentes provaram que podem fazer facilmente – com efeito devastador sobre o moral da população – é entrar caminhando ou com um carro em lugares cheios de gente e explodir as pessoas, seja um mercado, um restaurante ou uma fila de recrutas da polícia. Eles querem tornar a vida impossível para todos no Iraque, para mostrar que a invasão do Iraque foi errada e que deve se voltar à estaca zero.

O que acontece se Zarqawi for morto ou capturado?

Seria um abalo apenas temporário. Zarqawi seria substituído por alguém que passou pela prova da luta e que tenha boa capacidade de organização. A insurgência da Al-Qaeda tem se sustentado no Iraque por tempo suficiente para que muitas pessoas tenham adquirido experiência de combate e de organização no grupo.

66Iraque
Leia notícias sobre a ocupação dos EUA e a transição no país.
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