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Atualizado às: 08 de novembro, 2005 - 22h33 GMT (20h33 Brasília)
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Negociadores já prevêem 'plano B' para Doha

O chanceler brasileiro, Celso Amorim, chega para a reunião em Genebra
Para Amorim, 'plano B' pode se tornar uma 'autoprofecia'
Os negociadores da Rodada Doha, que trata da liberalização do comércio mundial, já falam em um "plano B" para a Reunião Ministerial de Hong Kong, a instância máxima de decisões da Organização Mundial do Comércio (OMC) marcada para o próximo mês.

"Não considero ser possível discutir todas as modalidades (agricultura, bens industriais e serviços) em Hong Kong. Por isso foi discutida a realização de uma reunião ministerial para ser realizada depois de uns dois ou três meses", disse o ministro do Comércio da Índia, Khamal Nath.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse, primeiramente, que preferia não falar em "plano B", porque "pode se tornar uma autoprofecia".

Mas ele reconheceu que "talvez venha a ser necessária uma ‘Hong Kong 2’ para completar o trabalho" das negociações, isto é, que algumas questões sejam discutidas mais tarde.

"Não podemos permitir que isso se transforme em uma nova Seattle ou Cancún", destacou o chanceler brasileiro, em referência a cúpulas anteriores que fracassaram.

Para o comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, "um plano B em Hong Kong tem os seus riscos".

"Existe uma clara preferência da maioria dos negociadores de ajustar as expectativas, mas não quero que isso afete o nível de ambição da Rodada. Oponho-me a isso fortemente", declarou.

Expectativas

Os negociadores tentam, em Genebra, acertar o rascunho de um acordo comercial a ser analisado em Hong Kong.

O principal entrave nas discussões tem sido a questão agrícola, chamada pelo ministro Amorim de o "carro-chefe" nessas negociações.

O Itamaraty argumenta que serviços e manufaturados já haviam sido liberalizados na Rodada Uruguai e que agora é a vez da agricultura.

As negociações agrícolas giram em torno de três temas: apoio doméstico a produtores, subsídios à exportação e acesso a mercados (tarifas de importação).

O entrave nas negociações é causado pelos europeus, na visão do G20 e dos Estados Unidos. Eles reclamam, principalmente, do tamanho do corte de tarifias e do número de produtos que devem ficar isentos dessa redução.

Proposta "insuficiente"

A oferta da União Européia, apresentada no final do mês passado e considerada "insuficiente", prevê um corte médio de 39% nas tarifas de importação para produtos agrícolas e a isenção de até 8% do total de produtos, o que dariam cerca de 300 produtos "sensíveis".

Os países em desenvolvimento e os americanos querem um corte médio de 54% e acham que os produtos "sensíveis" não devem ultrapassar 1%.

Apesar de "insuficiente", no entanto, houve reconhecimento de melhorias. Afinal a primeira proposta européia era de um corte médio de 24%.

Sob o ponto de vista da União Européia, contudo, são os países emergentes que precisam se mover, isto é, oferecer a abertura dos seus mercados de serviços e de bens industrais.

Peter Mandelson já havia comentado em outras ocasiões que não haveria "passeio grátis" na Rodada Doha e que o Brasil deveria fazer concessões substanciais.

Na reunião em Londres, os negociadores ensaiaram em coro os elogios de que, pela primeira vez, eles estavam discutindo as negociações nessas áreas. Amorim teria até apresentado números – um corte de 50% nas tarifas industriais.

No entanto, embora as últimas semanas tenham sido de intensas negociações, até agora ninguém fala em um consenso nas ofertas de liberalização comercial.

Os negociadores seguirão reunidos na noite desta terça-feira e também na quarta-feira, em Genebra.

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