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Indiciamento é furacão político com rota imprevisível para Bush | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Foram péssimas notícias para uma Casa Branca acuada, mas poderiam ter sido ainda piores. O intrincado caso do vazamento do nome da agente da CIA Valerie Plame Wilson alvejou um peixe grande, Lewis Libby, o chefe de gabinete do vice-presidente Dick Cheney. Ele renunciou ao cargo devido ao seu indiciamento por perjúrio, falso testemunho e obstrução da Justiça, mas não por vazar intencionalmente o nome da agente. Como em clássicos escândalos americanos, foi o acobertamento, e não o crime em si, que gerou uma tempestade judicial e desdobramentos políticos imprevisíveis. É grave, mas não foi um furacão categoria 5 porque outro possível implicado, o poderoso Karl Rove, sub-chefe da Casa Civil e principal assessor político do presidente Bush, ainda não foi indiciado. As nuvens negras da Justiça, no entanto, continuam pairando sobre ele. Devastador O indiciamento de Rove seria neste momento simplesmente devastador para um governo debilitado por uma avalanche de crises -como o crescente desencanto da opinião pública com a guerra no Iraque - e que precisa urgentemente se recompor da fracassada indicação de Harriet Miers para a Suprema Corte. Bush é um presidente que prometeu restaurar a integridade ética da Casa Branca após os anos Clinton. Hoje Washington é movida a escândalos e eles estão cada vez mais próximos do centro do poder. O julgamento de Libby Lewis deverá expor o papel do seu ex-chefe, Dick Cheney, talvez o mais poderoso vice-presidente da história americana. Cheney foi o principal arquiteto da guerra no Iraque e o julgamento de Libby talvez ilumine o seu papel-chave, porém discreto, para impulsionar a invasão de 2003, assim como as táticas agressivas que a Casa Branca usou para neutralizar os críticos da justificativa original da invasão - a ameaça de armas de destruição em massa de Saddam Hussein (que nunca foram encontradas). A origem desta investigação está no vazamento do nome da agente da CIA, supostamente em represália às acusações do seu marido, o ex-diplomata Joe Wilson, de que a Casa Branca manipulou dados de inteligência. O caso do vazamento reacendeu a polêmica sobre a mudança de justificativa para a guerra - desta ameaça das armas inexistentes de Saddam para a necessidade de implantar a democracia no país e no Oriente Médio. Iraque De certa forma, o escândalo de vazamento pode se converter em um indiciamento da política americana no Iraque. Seria desgastante para um governo já com uma pesada carga de problemas. O contínuo escrutínio de Karl Rove pode enfraquecer ainda mais a sua efetividade e em conseqüência a do governo. Rove foi arquiteto de vitórias eleitorais de Bush e tem um papel estratégico na formulação de políticas e nas conexões com a base evangélica de sustentação do presidente. Existem pressões dentro da base de apoio ao presidente para que haja uma limpeza no alto comando da Casa Branca, mesmo se Rove mantiver suas funções. Isto foi feito por Ronald Reagan em 1986, após o escândalo Irã-Contras. Ele colocou a casa em ordem e ao final do seu governo, em janeiro de 1989, recuperara sua sólida taxa de aprovação. É cedo para dizer o que irá acontecer com Bush. Este escândalo poderá ter muitas ramificações e vazamentos. |
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