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Carne brasileira é 100 vezes mais antiética que a britânica, diz 'The Guardian' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em artigo publicado pelo jornal The Guardian, o jornalista e ativista político Georges Monbiot afirma que comer carne brasileira é "cem vezes mais antiético" do que comer carne britânica. Monbiot trata da descoberta de novos casos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul, mas também afirma que a expansão da pecuária no Brasil é a principal responsável pelo fato de que "os últimos três anos foram os mais destrutivos da história da Amazônia brasileira". Ele atribui a pecuaristas da região "o massacre" de 1,2 mil pessoas e o que diz ser a "quintuplicação" da escravidão no Brasil nos últimos dez anos. "O governo de um país que – apesar de seus melhores esforços – não conseguiu acabar com a escravidão, os assassinatos e as catástrofes ambientais espera que a gente acredite que seus padrões de higiene nas fazendas são implementados de forma tão rigorosa quanto as de qualquer outra nação", escreve o ativista. Ele termina o texto conclamando os leitores do jornal a ajudá-lo a "localizar" os estabelecimentos que vendem carne brasileira, uma vez que, segundo o autor do texto, ninguém na Grã-Bretanha agora admite que está negociando o produto. Tirando o brilho Outro jornal britânico, o Financial Times, afirma que o gado brasileiro com febre aftosa é um dos três "incidentes" que estão "tirando o brilho" de recentes vitórias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições para as lideranças do PT e do Congresso. O segundo incidente é o recuo do governo na chamada "MP do Bem", qualificada por um analista citado pelo jornal como "a mais importante iniciativa legislativa do governo neste ano". E um terceiro incidente, segundo o FT, é a seca que atinge a região amazônica. "Críticos dizem que mais deveria ter sido feito para preparar serviços de emergência", diz o jornal. Argentina fatura Estes temas estão também presentes na mídia de outros países. O diário argentino Clarín observa que a Argentina pode sair ganhando com a crise da febre aftosa no Brasil. O jornal afirma que, graças a isso e ao surgimento do primeiro caso de gripe aviária na União Européia, o país pode lucrar US$ 400 milhões extras em 2005 com exportações de carne de gado e de frango, que "é considerada livre de todas estas enfermidades" na Argentina. Na Espanha, o El Mundo diz que a atual seca ameaça "destruir a bacia do Amazonas". "Na maior bacia fluvial do mundo por volume de água, boa parte dos habitantes carece hoje de pesca, água potável e energia elétrica", diz o diário madrilenho. Futebol O americano The New York Sun diz que a "loucura" dos fãs vista na semana passada durante a passagem da Seleção Brasileira por Belém (PA) "nos lembra como o futebol se perdeu". O jornal diz que o treino da seleção, que atraiu 60 mil pessoas ao estádio Mangueirão e terminou em tragédia (com uma criança morta e mais de cem feridos), serve de ilustração para um esporte que está ficando caro demais para as massas, que precisam aproveitar qualquer oportunidade para ver seus ídolos de graça. "Tinha que ter acontecido no Brasil, claro", diz o texto assinado pelo jornalista Paul Gardner. "Tinha que ser no sol, na poeira e no esplêndido caos daquele maravilhoso país que tantas das coisas boas e ruins repentinamente se encontrariam e explodiriam em uma cena de loucura e horror." |
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