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Atualizado às: 18 de outubro, 2005 - 09h36 GMT (06h36 Brasília)
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Corrupção custa aos russos US$ 316 bi por ano, diz instituto

Georgiy Satarov
Satarov é presidente do respeitado instituto Indem
A corrupção na Rússia cresceu nove vezes nos últimos quatro anos, segundo o respeitado instituto de pesquisas russo Indem.

O volume de recursos gastos em corrupção, desde comissões sofisticadas até o simples suborno direto em troca de favores, chega a US$ 316 bilhões por ano, de acordo com o recente relatório do instituto.

Ainda de acordo com o trabalho, funcionários públicos estão aumentando cada vez mais a pressão por propina, apesar da luta contra a corrupção recentemente anunciada pelo Kremlin.

Um empresário na Rússia paga, em média, US$ 135 mil para funcionários públicos por diferentes decisões que beneficiam sua empresa, valor 13 vezes maior do que pagava há quatro anos, calcula o instituto.

"O crescimento da corrupção decorre da pressão extra que funcionários estão exercendo sobre as pessoas para fazer com que elas paguem propinas", diz o presidente do Indem, Georgiy Satarov.

Revólver

Pelas contas do Instituto, cerca de 75% do suborno pago por empresários vai para funcionários públicos de baixo escalão em repartições municipais ou escritórios locais de agências federais.

Outros 20% iriam para autoridades regionais e 5%, para as federais.

Kirill Kabanov
Ex-investigador de corrupção, Kabanov agora chefia ONG

"A corrupção na Rússia é altamente líquida, um negócio de muitos bilhões de dólares que afeta todo departamento estatal e o Executivo", afirma Kirill Kabanov, chefe do Comitê Anticorrupção da Rússia, uma ONG que tenta despertar a consciência em relação ao problema.

Kabanov foi chefe da equipe de investigadores contra corrupção do Bureau Federal de Segurança (FSB), que sucedeu a KGB.

Ele diz que muitos de seus colegas do Bureau estavam envolvidos em negócios obscuros e que, de brincadeira, eles costumavam chamar a agência de "FSB Limitada".

"Depois do colapso da União Soviética, muitos funcionários da KGB se desiludiram com os valores comunistas. Além disso, no tempo de (Boris, ex-presidente da Rússia) Yeltsin eles também carregavam um tipo de estigma histórico de agentes que trabalharam para o aparato opressivo", diz Kabanov.

"E aí vem o novo empresário russo que precisa de ajuda para se conectar ao Estado enquanto falta o Estado de Direito."

"Gradualmente, os quadros que perteceram à KGB assumiram controle não apenas dos negócios obscuros, como também expandiram seu controle sobre muitos negócios."

Kabanov carrega sempre um revólver, pois ele já recebeu ameaças de morte e dois integrantes do Comitê Anticorrupção foram mortos.

Transparência

Segundo o Indem, o mercado de corrupção na Rússia está tomando conta de novas esferas de negócios e da vida social.

Kabanov mostra revólver
Kabanov usa um revóver como proteção

"Qualquer negócio entre o cidadão e o Estado acaba em um ato de corrupção", diz Georgiy Satarov.

Segundo o Indem, as principais razões para o aumento da corrupção pública e privada são a falta de controle das autoridades e o aumento do apetite dos burocratas.

Na avaliação de Kabanov, o conselho público de luta contra a corrupção criado pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, não fez muito para mudar a atitude da sociedade russa em relação à corrupção.

Segundo Yelena Panfilova, diretora da Transparência Internacional na Rússia, a luta contra a corrupção no país será perdida se as autoridades se basearem em casos exemplares eventuais, tentando agradar o Ocidente.

"As pessoas me dizem "vamos lutar juntas", mas olhe o que acontece lá em cima do topo da pirâmide de poder, olhe como eles tomam suas decisões", diz Yelena.

Satarov acredita, porém, que menos russos estão dispostos a pagar suborno atualmente.

"Existem até mesmo aqueles que estão preparados para ir à Justiça, eles estão fartos da extorsão", diz.

"Esse é um bom sinal. Isso significa que as práticas da sociedade estão mudando."

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